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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ide e os paradoxos do pregai



No estrugir da trombeta, os últimos dias têm sido um alavancar de números de uma profecia que não mente jamais: “as portas do inferno não prevalecerão”, (Mt 16.18b) justificativa honrosa para tal crescimento, porém a dimensão dessa ascensão trouxe em si muitas implicações, contradições e conflitos, mesmo que na boa intenção de comunicar, estejamos indo sem ensinar, reunindo sem ir e sendo na contramão do ser sem ser, então o que está acontecendo com o ide?

Num dos maiores momentos de ascensão da igreja, nunca se teve um cenário tão propício para se divulgar o nome de Cristo e o seu Evangelho. O número de templos, o seu tamanho e arquitetura desenhada quase que exclusivamente para uma platéia cada vez mais exigente ou mesmo pela justificativa de que nunca se viu tanta gente se render aos pés de Cristo, motivo maior para aumentar as instalações. Por outro lado, além do número crescente de igrejas, as músicas executadas de acordo com o grupo e, claro, a pregação da Palavra cheia da unção de Deus ou das malícias dos cursos de oratória prontas para emocionar os ouvintes sem causar nenhuma transformação para dentro do ser.


Após a descida do Espírito Santo, nosso consolador, tudo mudou, os mesmos homens os quais seguiam Jesus, até mesmo os apóstolos mais chegados tiveram suas vidas interiores modificadas, pois antes eles iam ao ide, porém cheios de intenções, dúvidas, receios e disputas por cargos. Em contrapartida, um dos amigos íntimos do mestre foi sincero ou intencionado ao dizer: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos; que ganharemos?” (Mt 19.27) provando que entre esse Pedro ao lado de Jesus o tempo todo, mas preocupado ainda com as coisas daqui, agora depois de provar do Espírito Santo o mesmo profere: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda”. (Atos 3.6) Há dois ides aqui, todos dois seguindo seu trajeto natural de ir, porém as intenções são diferentes, as preocupações e objetivos olham para lados opostos, motivos pelos quais explicam o inchaço, o sal insípido, a luz debaixo da mesa, portanto dependendo do ide, o pregai pode sair pela culatra.

Qual será o nosso ide, sim qual será? Permita-me uma pergunta e só responda para Deus: qual é o seu ide?

Quando observamos a transformação em todas as pessoas as quais se preencheram do verdadeiro mover do espírito, o solo seguro da graça passou a ser a única estrada para levar esse ide, não mais as estradas que levavam ao topo do conhecimento de Deus (teologia), num Nicodemos sábio por fora, seguidor de todas as leis e regras comportamentais as quais o deixavam quite diante do grupo religioso, mas sem saber e provar o mais simples: o novo nascimento; não mais as estradas do ibope, nem mesmo as estradas da manipulação de um ide aberto em cada esquina com suas contradições e meninices teológicas, nem os ide – vindo que cansados de ir ficaram dentro das quatro paredes no apoteótico desfile de top – ovelhas, destilando novos modismos, egoísmo e as mesmas preocupações do velho – homem – Pedro: o que ganharemos?

Por outro lado essa mesma estrada, proporcionada pelo Espírito Santo a qual fez Pedro utilizar o discurso mais simples que uma platéia pode experimentar e quase três mil almas se agregaram e receberam a Palavra de bom grado, simplesmente por eles estarem preenchidos do Espírito Santo e juntos creram e tinham tudo em comum, (Atos 2.42-47) razão pela qual a igreja caiu na graça de todo o povo. Com isso percebemos algo indiscutível: O ide com o Espírito Santo retira nossas velhas intenções e nos dá uma só intenção, vai, como disse o senhor a Jeremias: “Eis que na tua boca ponho as minhas palavras, pois eu velo sobre elas para cumprir”; ainda que pelejem contra ti, ainda que leis sejam forjadas para fechar os teus templos e calar a tua voz é e somente é através da ação do Espírito Santo de Deus que esse ide terá efeito, pois a mão do senhor não está encolhida para que não se possa salvar, por esse motivo Pedro e muitos até hoje têm sido modificados lá dentro por Deus para alcançar tal mérito.

Nessa mesma estrada sem a atuação do Espírito Santo dentro do homem, o ide alcança vidas, toca as pessoas na pele, emociona sem alcançar a divisão do espírito, faz crescer a igreja em números, porém mantém um povo caminhando obeso, sem a marca e os frutos que o identifica como discípulo do mestre, porém com sua própria grife e identidade. Sim, é nessa mesma estrada que o ide se faz ou nós fazemos o ide, é no caminho e na vida o diferencial, mas a vida se ainda cheia do velho homem vociferando lá dentro, mas todo santo por fora danifica esse verbo e o transforma em obrigação, quando cheio e revestido do Espírito Santo, com a cara e o sotaque do mestre Jesus, faz ele ser não uma ordem, mas um prazer.

(Fonte:http://chargesprotestantes.blogspot.com)

Quando vejo mais de um milhão de pessoas em Pernambuco saudando o galo da madrugada, a multidão nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro ou mesmo a grande multidão acompanhando a padroeira do Brasil na cidade da fé em São Paulo, sem contar os países não alcançados, povoados, índios e tantos bêbados, drogados e os “sem oportunidades” que perambulam por nossas calçadas, posso afirmar que o nosso ide ainda parece estar cercado de outras intenções, com os garranchos do mundo, com alguma coisa do velho homem.

Com isso, não quero aqui ser generalista ou radical, mas também não podemos dizer que a mão do Senhor encolheu para salvar, na verdade o defeito está em nós, então eu e você precisamos refletir e pedir ajuda a Cristo para nos modificar e nos usar como arma, porque pregadores já somos, a palavra já foi empenhada por Deus de que o inferno não prevaleceria contra nós, mas o que está faltando? Por que falamos e não vemos os sinais? Por que estendemos a mão e o enfermo não sai curado, o coxo não anda, o cego não vê, o morto não se levanta, o demônio não sai? Afinal, os sinais não acompanham aos que crêem? Dizemos que cremos, mas cadê os sinais? A questão é: os sinais são raros, pois em seu lugar ficaram as palavras, a frieza, a boa oratória, o formalismo, a disputa pelo cargo e o não viver o que se prega.

É bem verdade que ao compasso do crescimento houve a necessidade de doutrinar, por puro zelo, as cartas de Paulo provam que mesmo reunidos os cristãos deixaram entrar pela porta da frente não alma sedentas, mas modismos, havia outras igrejas que recebiam de Paulo um parabéns, vocês estão cheios do ide de Deus, enquanto outras recebiam cajado, porque o ide estava cheio dos homens, mas como o objetivo era sempre o de buscar o que se havia perdido, salvo alguns frutos que faziam estragar os demais, o ide foi manejado a cajado, mas cheio do óleo da graça, afinal somos barros que se racham ou se quebram nas calçadas do engano, porém se reconstroem e se enchem do poder de Deus depois de amassado pelas mãos do oleiro.

Ide e ensinai a todas as nações, (Mt 28.19) ide e pregai por todo mundo, em outros momentos, o ide foi o verbo mais urgente: “ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel”; (Mt 10.6) “Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas” (Mt 22.9) “Ide à cidade a um certo homem e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está próximo” (Mt 26.18) “Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos”, (Lc 10.3) mas também “Ide, apresentai-vos no templo e dizei ao povo todas as palavras desta vida”, (At. 5.20) porém a compreensão desse ide está em Lucas 24. 32,45 – 49, pois só havia efeito quando do alto fossem todos revestidos do poder de Deus, porque antes era apenas a grande indagação e paradoxo desse ide: “E eles espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito”, e se nem o seu mestre conheceram, nem mesmo tendo ardido as palavras em seus corações, havia uma grande estrada de ilusões, egoísmo, pretensões e muita fragilidade (Lucas 24.37) pois sabiam que sem o mestre Jesus para curar, expulsar demônios, ressuscitar mortos e transformar adúltera em missionária era algo impossível, por isso os corações estavam perturbados, seus anseios limitados pela busca capitalista de Judas, seus pensamentos recheados das incertezas do manhã, quando não deveriam estar preocupados com o que comer e vestir, mas buscando só o reino, assim parecemos quase estar, como eles, cheios de incertezas e temor.

Ide, sem nenhuma utopia, porque não há utopia em Deus, mas desejo de que toda alma seja salva, que os mortos vivos entre nós se levantem pra cumprir o ide, que a geração de Jezabel, mesmo sem dar ouvidos e distorcendo a Palavra venha reconhecer o amor do Salvador.

Que eu reconheça, Senhor minhas falhas e incertezas, me jogue em suas mãos e receba do teu Espírito Santo poder do alto para assim pronunciar de forma simples e corajosa o teu ide. Que possamos, caros leitores e irmãos, nos desfazer do velho homem que ainda ruge lá dentro, mesmo que, por fora, estejamos transvertidos de santo, desfaçamos das nossas indiferenças com o outro para sermos unânimes, perseverarmos e mostrar ao mundo a diferença entre o justo e o injusto. Sintamos então a dor de quem, já no inferno está, por nossa omissão diária e, sentindo, possamos na igreja e fora dela deixar a religiosidade farisaica de lado para sermos cobertos pelo sangue de Jesus afim de, pela atuação do Espírito Santo em nós, com as suas ferramentas a nós emprestadas, vencer o mal e libertar o povo desse cativeiro cultural e mundano o qual se encontra. Clamemos a Deus por almas como fizeram Jônatas Edwards, João Wesley, Jorge Whitefild, Christmas Evans, Carlos Finney, Carlos Spurgeon e tantos outros anônimos entre nós nos vagões do metrô, nos ônibus lotados, nas ruas em sol ou chuva das pequenas campanhas de evangelização ainda hoje, anônimos nas diversas repartições públicas, faculdades, local de trabalho, Peça a Deus agora, levante – se, tire o fardo que o deixa cego e ide.

O que ganharemos? Se com nossas intenções, apenas galardão aqui mesmo e certamente: “Apartai-vos de mim, vós que praticai a iniqüidade”, mas se transformados pelo Espírito Santo, sendo imitadores de Cristo nessa estrada cheia de pedras no caminho, ganharemos cem vezes tanto e herdaremos a vida eterna. (Mt 19.29)

Até à próxima!

André Silva

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Quem é o meu próximo?

Essa foi a indagação feita a Jesus e a todos que o rodeavam, para nós essa indagação sobrepuja tudo o quanto percebemos ao nosso redor e olhamos sem ver o que vemos dentro de nós mesmos, porque fora de nós, apenas medimos ou intercalamos limites para o próximo que nunca foi próximo e geralmente esquecemos o próximo que está perto, mas bem distante, e ficamos sem saber quem é o nosso próximo, simplesmente porque o nosso próximo transformou-se em interrogação, logo vem a pergunta: quem é o meu próximo?
Ao responder essa curiosa pergunta, Cristo mostra diante dos nossos olhos um personagem distante, mas bem próximo nosso, embora distante de nossas expectativas, porque aquele que geralmente faz o bem ao próximo não o vê, mas no intervalo de tempo em que alguém precisa de sua ajuda, o próximo já está dentro de si mesmo, ou seja, só enxergamos o próximo quando o próximo está dentro de nós e não ao lado.
Nessa direção, se observamos o próximo por esta ótica, contemplaremos com júbilo o segundo maior mandamento bíblico: “amar o próximo como a si mesmo”. Eis a razão de Cristo mais tarde dizer, que no fim dos tempos o amor de muitos se esfriaria. (Mateus 24.12) Ora, se o próximo não mora em mim, então não posso amá-lo, posso acariciá-lo, posso falar com ele todo dia, mas não sinto com ele suas dores, ele apenas é um alguém que vejo sem ver, porque se esse for o meu próximo, com certeza eu carregarei suas dores comigo. Cristo foi o maior exemplo disso, Ele morreu por nós, por que nós estávamos dentro dEle, então, quem é o nosso próximo? Olhe dentro de você e responda a pergunta.
Não quero com essa afirmação, propagar o assistencialismo já fadado em si mesmo, que prolifera mundo a fora com ofertas grandiosas de pão e dinheiro, até porque o assistencialismo também não enxerga e não sabe quem é o seu próximo, por também não sentir as suas dores, tem muita gente enganada com suas doações, pois doam alimento, mas não doam o coração. É necessário fazer como o bom samaritano, (Lucas 10.33) além de doar uma boa hospedagem ao ferido, ele mesmo tratou de suas feridas, por isso já está provado: os médicos que chegam mais próximos do paciente têm maiores resultados, os pais que assistem mais de perto seus filhos ganham mais respeito e confiança, porque não é apenas um brinquedo, nem uma receita, mas um olhar, um toque, uma fala, um gesto.

Quem é o meu próximo? Descobriremos isso na oração do Pai nosso, mas às vezes nos passa despercebido tanta coisa nessa oração, pois ela virou reza costumeira de palavras puramente repetidas e não uma conversa, um desabafo com o Pai, afinal: “que seja feita a tua vontade assim na terra como no céus”, mas qual é a vontade de Deus? Que amemos uns aos outros, que nós venhamos a fazer a vontade dEle aqui e agora, caso contrário, essa vontade não se estabelece nem aqui nem lá no Reino Celeste, então, se eu não enxergo meu próximo, como posso proferir essa oração? Se eu julgo, não vou com a cara, não suporto, então se torna pura hipocrisia fazer da oração modelo, minha oração diária, quando o dono da oração: Jesus Cristo, nos manda amar o nosso próximo, nele, com ele, por ele, pois sem ele, o meu próximo passa ser o meu umbigo, meu centro das atenções, mas o verdadeiro cristão o ama como a si próprio, porque assim pediu o nosso Pai que está nos céus, então amemos, mesmo sem vê-lo.
O que me deixa maravilhado com Jesus é que Ele não tem nenhum rabo preso com sistemas ou ideologias, culturas, crenças e opiniões, ao contrário, Jesus declara que o nosso próximo não é apenas aquele coitadinho a quem mandamos a cesta básica, nem mesmo aquele a quem temos dó, mas o nosso próximo também são as pessoas a quem nos odeiam ou odiamos, logo: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos maltratam, para que sejais filhos do Pai que está nos céus, pois se amardes os que vos amam que galardão tereis? Não fazem assim os publicanos?” (Mt 5.39-48) Com isso Cristo estabelece uma regra básica de sua pedagogia a qual desmantela todo esse sistema social que impera hoje: Se alguém não ama aquele a quem está vendo, como pode amar a Deus a quem não ver? (1ª João 4.20) Para a sociedade, temos que amar aqueles que nos amam e sentenciar à “morte” todos aqueles que atravessam em nosso caminho, para a cultura que rege nossa sociedade, o nosso próximo é aquele a quem nos faz bem, é aquele coitadinho a quem devemos ajudar nas grandes campanhas contra fome para sermos bem vistos na sociedade e aplaudido por todos, mas não se engane! Isso é apenas “assistencialismo”, pra ser amor mesmo, o próximo tem que está dentro de você como uma dor que lateja.
Quem é o seu próximo? Sinta a dor dele e conhecerás, chore com ele e ficarás sabendo, permita-se doar, ame, perdoe, dê a sua outra face e descobrirás o seu próximo e com ele terás um grande galardão aqui e lá no céu junto ao Pai que o espera no reino dEle na glória, nos céus.

Até à próxima!
André Silva

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Eu: um tu do outro lado


Encontrá-la foi um processo doloroso e lento que se esticava feito açúcar de afenin, muitas vezes eu te encontrava no meu quarto e diante o espelho conversávamos horas, eu a me olhar, a te querer e sentir tua presença, a te questionar quando sairias dessa prisão, quando tocarias na minha face e me daria a certeza da impossível solidão. E éramos um, fundido num nós, ali naquele espaço pequeno e cheio de sonhos, eu um tu do outro lado, a te interrogar muitas vezes onde estarias que nunca chegavas e eu apenas presentia com pedaços de certezas que se construíam, se refaziam e se desmontavam com o tempo.

Mas, nem sempre fora só espera e tristeza, havia momentos banais para substituir tudo aquilo em que eu acreditava e dias de aventuras surgiam e eu me petrificava por dentro com um sorriso largo e aparente. Diante do espelho eu já era outro, aparentemente refeito. Quantas vezes ao sair eu era iludido por um corpo estranho que chegava e tentava se alojar em teu lugar, quantos corpos a me convencer de ficar enamorado, alguns de forma persuasiva deixava claro que a tua presença no meu coração se resultava inútil e não passava de ilusão, como saber, entre tantas jovens ao meu redor, que sua presença seria mais forte, como não confundir a tua essência com as demais, se muitas se parecem uma com as outras? Havia algo diferente em ti e eu bem sabia, algo que causava estranheza, medo, espanto e esperança, mesmo assim acreditei naquilo que dormia em mim e que por ti ardia como um vulcão em atividade próximo a despertar.

Certo dia um beijo estranho me arrebatou os sentidos, te traí e bem sei, traí não porque estavas ausente, mas porque a certeza morria a cada batalha que eu travava comigo mesmo, não era fácil retornar a conversar contigo depois daquele encontro com ela, depois de me alimentar de uma certeza presente, depois de produzirem em mim uma deliciosa náusea de encantamento. Às vezes o beijo seduzia meu corpo, às vezes me deixava mais frio e incrédulo, porque quando amamos só de corpo sempre restará um vazio no após e ao chegar ao meu quarto tu estavas lá naquele cenário solitário e que somente eu compreendia. Sim, retornar para ti, te reencontrar era culposo, como te querer tanto, desejar tanto encontrar contigo, se me deixava embriagar por um corpo novo na esquina da vida?

De repente, deixei o quarto de sonhos, a razão me convidou a pisar no chão e fui, guardei a emoção numa caixinha de surpresas para uma possível surpresa. Surpresa? Só os encontros da vida podem nos dizer isto. É bom saber que encontro não é apenas o olhar de dois, às vezes é a certeza de um só, de que aquilo que não foi torne a ser e era nessa certeza que caminhava durante anos, morto por dentro, com a frieza da indomável razão alimentando meus impulsos juvenis, então só descobri tarde demais que nenhum encontro baseado em corpo perdura ou tem sabor de final feliz, é um engano pensar assim, é engano escolher pelas aparências performáticas de um currículo invejável ou mesmo um corpo escultural, nem dinheiro, posição social compensa um encontro, embora no caminho e na vida se construa tudo isso a base de muito suor e lágrimas.

Ao te buscar pela tarde, encontrei o quarto vazio, tua presença era um vácuo e temi, porque dentro de mim deixei teu espaço ocupado por uma paixão mais forte que eu. A paixão foi tão fulminante que cheguei a crer que tu tinhas saído do espelho para me encontrar, afinal ela vestia um disfarce muito belo, era só uma capa de aparência e dificilmente eu descobriria a verdade se Deus não revelasse, só iria descobrir depois de cair no laço, já tarde demais.

Por outro lado, também imaginei que poderias ter ido embora ou mesmo desistido por toda minha imprudência e ansiedade, quando pela muita ansiedade em acertar acabamos por passar na frente de Deus por não estar sensível a voz do Espírito Santo. Então meu quarto ficou vazio, minha vontade de orar esgotou, perdi as forças, porque a carnalidade traduzida por paixão rouba até mesmo nossa comunhão e tempo com Deus e por muito vezes tua presença era para mim estranha, tu me olhavas e ficavas em silêncio e eu cego em não entender que tudo aquilo o quanto estava vivendo, nada mais era que uma cegueira, eu tinha baixado minhas armas e não tinha percebido, fui presa fácil, bem próximo em cair no laço, mas como o Senhor teve misericórdia da minha vida e ainda iria nos fazer encontrar, me livrou e me fez tomar um dose de glicose para me livrar da embriaguez da paixão, psicotrópicos celestiais para me deixar dopado pelo impacto da traição que me veio como um assalto, seriam necessários sessões radicais de exortação para que a depressão não me tomasse a mente, sim, a minha imprudente ansiedade quase me matou. (Filipenses 4.6)

Seis anos foram necessários para atravessar este deserto, miragens no caminho de um oásis tentando matar minha sede e mais uma reflexão: Quantos oásis, quantos pratos enfeitados e belos, porém podres por dentro, precisamos estar em intimidade com Deus para conseguir discernir o que vem dEle ou não, só no cenário da oração é possível isto, pois o nosso Deus que nem dorme nem cochila ver o amanhã e por amor nos alerta, nos dá despertamento para orar, nos dá visões para entendermos os perigos do caminho, as camuflagens transvestidas de santidade.

Depois das sessões de choque, passado o impacto da traição, vi um foco de luz dentro do espelho e me lembrei de ti, mas ainda não tinha forças para retornar por total, passei a desacreditar na tua existência, fiquei cético, até a voz de Deus tentei rejeitar, embora não conseguisse, a voz do Mestre é tão suave que penetra até corações de pedra, corações quebrados e traídos, vai lá no profundo, quando a voz de Deus chega de forma tranqüila e serena é como um calmante, a vontade é ficar ali escutando Ele falar conosco o dia inteiro, é um bálsamo, um relaxante que vai tonificando os ossos até a medula, não tem como escutar a voz do nosso Jesus e não se tornar sensível por mais duro e obstinado que venhamos a estar, ainda longe de seus caminhos, acorrentado pelo inimigo de nossas almas, mesmo assim, quando a voz do Senhor chega e diz: meu filho, minha filha sou Eu, nos derrete por dentro, nos quebra, nos torna uma criança, falamos: - Meu Deus, por que tudo isso, porém sabiamente sua voz nos conduz ao silêncio dos pensamentos: “Psiu, Eu já sabia de tudo, permiti para uma experiência, queria tratar contigo, sossega estou aqui a renovar tudo, a te amar e não permitir que a dor vá mais além do que possas suportar, Sou contigo e te darei vitória.” As lágrimas preenchendo o rosto, os soluços de cansaço e a vontade de acertar se reúnem nesse encontro, um clarão em vez de um foco de luz acende dentro de mim, embora a imperfeição e ansiedade colocassem um grão de dúvida nos dias que se faziam e refaziam sem contigo encontrar. (Provérbios 12.25)

Ao sair do quarto olhei o horizonte, eu já era outro, retornei como se estivesse esquecido algo, olhei para o espelho e disse: Tu estás ai? Eu vou te encontrar, não sei por onde andas, o que fazes, em que cidade estás agora, mas vou te encontrar, foi promessa dEle, Ele não mente, sua palavra é fiel, então me espera um pouco, volto já para me encontrar contigo aqui.

Dias se esticaram novamente, um leve espasmo me tomou por dentro e outra possibilidade de me aconchegar aos braços da solidão, todavia Deus não deixou isto acontecer, foi mais rápido que eu, do que minhas fraquezas. Lembro que num sábado a contemplar um evento com tanta gente, ousei perguntar: Senhor tantas, onde estará ela? Um exército de jovens de blusas vermelhas vem chegando, olhei de forma discreta, muitas jovens bonitas, mas tão novas, tu porém a quem ficavas ali no meu espelho interior era mais amadurecida em tudo, não era mais uma adolescente, então desistir de te procurar naquele meio sem saber que estavas ali tão perto de mim, fostes tão cruel a ponto de me ver, de me reconhecer, de saber que algum dia estivesses comigo e por timidez, orgulho ou mesmo medo, rejeitaste a minha presença no teu coração. Naquela noite, retornei ao meu quarto, chamei para mim uma paciência que não tinha e ao me lembrar da voz do Senhor não consegui dizer nada só a perguntar onde você estaria, quando se libertaria do espelho da minha mente, quando serias uma realidade na minha vida? Olhei para o teto, me deitei e ainda deitado balbuciei: Se eu não consegui encontrá-la Jesus, permita que ela me encontre. Fechei os olhos da incredulidade e deitei meus pensamentos no travesseiro da providência divina e esperei no Senhor, agora sem medo nem ansiedade.

No domingo, despertei para mais um dia, o sol estava receoso em sair, me ajoelhei e orei como sempre faço recitando um versículo bíblico em Isaías 54.17 e em silêncio recitei uma poesia, Viva Cristo, no número 106 da harpa cristã, jejuei como costumeiramente o faço todo domingo e no horário me dirigi à igreja para participar da manhã missionária. A movimentação dos jovens caracterizados, a imaginação latente nos olhos daqueles que esperavam um mover de Deus naquela manhã, os irmãos a orar, uma agitação santa no corredor, e algo dentro de mim me pedindo para me dirigir a outro lugar, só que não costumo chegar a uma igreja e sair para outra, retive meus pensamentos, relutei, posto que seria em mim uma contradição, fugia de tudo o que havia aprendido, mas nem isso foi suficiente para ficar, saí e disse: Senhor, o que haverá naquele lugar para que eu vá? E fui desta vez livre de qualquer coisa.

Ao chegar, tudo parecia improvável, as mesmas pessoas estavam lá, as mesmas a ponto de me questionar: o que vim fazer aqui?. De repente, um anuncio – há um grupo de jovens nos visitando, as observei, o encontro foi se aproximando para longe, visto que minha timidez mórbida nos afastou. Ela olhou para mim ao passar e eu sabia que eram meus olhos e não eu, naõ havia nada em mim que poodia chamat atenção a não ser meus olhos os quais causam em alguns uma impressão calorosa e chamativa, foi isto, pensei, meus olhos apenas ,sem saber que ela havia me identificado, se interessado, me descoberto, então gravei seu rosto na saída na certeza de que poderia alcançá-la, pois já sabia onde ela morava, ao sair já havia planejado meu encontro, já estava tudo articulado, mais uma vez confiei em mim e Deus me surpreendeu, Será como Eu quero, o dia e a hora são meus.

Em trinta minutos a internet foi pequena para buscá-la e encontrei, teus dados, perfil, e algumas fotos me bastaram para agradecer a Deus, estive lado a lado com ela e não tive coragem se quer de olhar nos olhos, a traição, a frieza, o descaso me tornou recuado e acuado, me deixou reprimido para certas coisas, não tive como mandar um recado, como foi difícil, ela se fazia mais acessível dentro do meu espelho do que agora. E continuei a acessar na perspectiva de que ela visse meu nome e curiosamente buscasse saber quem é, isto não funcionou, foi em vão manhãs, tardes e noites de uma semana inteira a entrar lá e nenhum sinal de esperança. (Provérbios 13.12)

Nos encontramos da forma mais inusitada possível, eu vibrei diante de uma sala de aula cheia de jovens, acabei desconcentrando – os com minha felicidade cimentada em fundo de poço, ali naquela sala tive a certeza do inaudível, de que a solidão não seria uma intrusa, conversamos uma tarde inteira, suficiente para minha certeza de que eras tu a mesma a quem buscava. A felicidade foi tão explosiva que cometi loucuras: aprovei uma turma inteira, perguntaram: Está com febre, professor? Doente, o que houve? O senhor está de brincadeira conosco para com isto, então falei, estou feliz e amando de novo, por isso estou dando esse presente, viva o amor, amem também vale a pena, uns riam, outros pulavam, os possíveis reprovados choravam, foi uma mistura doida de sentimento não consegui me controlar parecia que eu estava numa prisão oculta dentro de mim mesmo, ao me libertar vi o céu aberto sobre mim, as nuvens de bronze se foram e agora passei a arrumar a minha casa interior para te receber, pois havia te mandando embora por vacilo e ansiedade, desta vez tomei um banho de esperança e fui me arrumar: o amor, o carinho, a ternura, o apego, o zelo e a força da poesia eram minhas roupas e fui ao teu encontro.

O dia foi pequeno, o trânsito também não cooperou e mais uma vez entendi que nada cai do céu, temos que buscar arduamente, fiquei tão ansioso que perdi a hora, atrasei e muito, mas compensou em vê-la. As palavras faltaram, não sabia se ficava parado observando teu rosto ou se subia em uma cadeira para anunciá-la para todos ali, se fazia um brinde, não o soube nem me expressar, deixei toda comida, respirava fundo, me deu vontade de levantar-me e lhe dar um forte abraço e chorar aos seus ombros: te esperei tanto, por tua causa, fui ao outro lado do país por duas vezes, acreditando te encontrar, quando tu estavas aqui bem perto, acessível às minhas mãos. Teus olhos passeando sobre meus lábios e atenta as minhas frenéticas gesticulações. Ela comia devagar e preocupada com o horário e eu muito nervoso com tuas observações. Ela foi embora, e eu só soube sentar e olhar os carros passarem um a um e cenas do passado se esfumando para dar lugar às cenas futuras. Encontrei - a, mas o tempo fugiu como névoa que se desfaz em orvalho e partiste, ficando em mim aquela essência de ti. Como fiquei em ti, e disso o sabias: que te indo, eu te acompanharia, menino abobalhado e quieto em algum lugar de ti, a te olhar de longe, a lembrar, a ficar atônito com a tua presença para assim te dar a certeza da impossível solidão

Na manhã seguinte, eu esperei, mas tu não vieste, deixando meu coração em pedaços, um tum, tum, tum, tum silencioso me deixou mais aflito ainda, poderia ela ter desistido? Horas depois tu ligaste trazendo uma bela notícia contigo, por impulso gritei dentro de uma lanchonete, as pessoas me olhando desconfiadas e eu numa alegria só, não deu pra disfarçar. Tu do outro lado sentias a minha presença, eu na lanchonte, e juntos em nossos pensamentos nos olhamos e viajamos mundos em nós mesmos, no nosso passado e nosso futuro, os medos interiores vieram como fantasmas e logo foram embora, porque não havia brechas para desconfianças, dúvidas e temor e em alguns dias já éramos um bloco fechado e monolítico. Éramos um eu e um tu fundido num nós antes mesmo de nos encontrar, nosso encontro apenas ratificou tudo o quanto esperávamos um do outro cujo amor guardávamos para doar.

Te amo! Falaste, eu só fiz olhar, foi tão rápido e em segundos te desvendei por completa, te descobri, e eu menino medroso em receber o peso de tão grande amor em meus ombros só sabia me maravilhar com a proposta, como recuar diante de tanta ternura? Ela falou com a voz forte:
Te amo!

Te amo!

Te amo!

Te amo!

Te amo!

Amo você, respondi. E já eram tantos te amo, tanta repetição sem rotina, afinal nenhuma repetição repete apenas, sempre cada repetição traz consigo algo novo para vivermos momentos de exceção e situações diferenciadas. Tuas mãos encontraram as minhas e seguimos rumo ao nosso mundo real longe do espelho que te aprisionava.

Até a próxima!
André Silva

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fé – menino


Está faltando homem no mundo, dizem as mulheres em busca de um amor, embora essa afirmação recaia sobre a alegação de que parte dessa classe tenha aderido à homossexualidade, já outros acreditam que homens existem muitos, mas homens de verdade são raros. A questão é simples, o discurso machista e mal interpretado das Escrituras Sagradas deu vez a uma série de desentendimentos, separações e retrações sobre o desejo de amar. A submissão da mulher ainda mal compreendida por muitos a fez esconder dezenas de abusos e maus tratos por parte dos seus maridos a quem prometeram na alegria ou na dor estar lado a lado, quando a alegria reprimiu-se na esperança de que o seu homem vivesse tal papel, não de forma masculinizada e sim fé – menino.

“Essa será para mim carne da minha carne, ossos dos meus ossos” disse Adão, portanto nenhuma representação masculina caberia nesse discurso e sim uma mistura macho e fêmea que se integrariam e se completariam ambos conscientes de seus papeis. Embora, a superposição masculina retraiu no homem ao longo dos anos sua capacidade de amar ou de compreender o que é o amor e isto decorre do contexto de aculturação social. Ensinaram o homem mandar, mas não lhe ensinaram a didática do diálogo, logo “Eu sou o cabeça, eu mando”. Por outro lado, aprisionadas pelo pensamento de baixar a cabeça sem o direito de opinar, a mulher aceita tal submissão como forma de prêmio, afinal onde ela encontraria um marido que a suprisse materialmente, socialmente e fisicamente?

Nos séculos XVII e XVIII as mulheres não podiam opinar, só sabiam contar até cinco e a ela foi lhe dada a atribuição de cuidar apenas dos filhos e da casa. Em contrapartida, no século XIX a mulher encontra-se com a leitura de folhetim que a liberta de seu cativeiro, então passa a sonhar com príncipes encantados e com o homem a quem ansiava seu coração, trazendo outros desdobramentos sobre o que seria submissão, se valeria apena apanhar, ser vítima de maridos frios, grosseiros e adúlteros para sustentar socialmente o título de casal perfeito.

O homem por sua vez, compromissado em ser o supridor do lar, se esqueceu em ser o supridor da mulher. “Essa é para mim carne da minha carne” Todos os anseios que o homem sentisse em carne estariam também embutidos nela, são da mesma natureza. Antes preferiu ele deixá-la com um papel menor e passivo e ao deitar ela seria apenas um depósito para aliviar suas tensões, quando sendo da mesma carne ela também mereceria ganhar em troca ou em dobro a mesma disponibilidade e submissão que ela se dispôs em estar ao lado dele, porém ganhou frieza, grosseria e incompreensão a ponto de muitos maridos nem mais respeitarem as regras de sua mulher deixando claro que amar na forma mais masculinizada possível seria um simples deitar como se o amor em sua forma plena mantivesse uma posição horizontal, quando a falta de sensibilidade em perceber que existem trocas de carinho mais profundas e agradáveis que um simples deitar, acabou por trincar a relação a dois e angustiar a mulher a quem prometeu diante de Deus amar até que a morte os separe, quando separado dentro do mesmo teto já se está desde o dia que se perdeu a sensibilidade e a compreensão do seu real papel “carne da minha carne” e se intitulou superior a própria carne sua sem se emparelhar, sem combinar, sem dialogar, sem perceber, sem ter fé – menino.

Nessa direção, por volta da década de oitenta a mulher vai tomando espaço na sociedade e no mercado de trabalho, atividades destinadas a homens agora são dirigidas por mulheres e hoje não se imagina que elas fiquem de fora, algumas decidem só engravidar muitos anos depois e se dopam com medicamentos sem perceber das deformações ocasionadas no futuro com sua saúde uterina, abdicou a educação dos filhos pela sua independência financeira, sua carreira de sucesso vem pesando nos ombros, pois enquanto se milita por uma posição ao sol, os filhos estão entregues à programação banalizada da TV, as babás sem formação cultural e aos amigos na escola. Por outro lado, muitas solteiras que tentam a independência a todo custo precisam saber que tal posição não pode ser maior que o seu amor e submissão, “carne da minha carne”, por isso muitas vezes não é só o homem culpado pela relação ruir, a mulher independente ou melhor com ego inflado pode não ser capaz de trocar de marido, mas é capaz de deixá-lo para ficar com emprego acreditando na garantia de sua estabilidade como sustentáculo de vida, quando a vida sem amor e companheirismo é mais fria que o cemitério. Então querida mulher, vale apena mesmo ser independente?

Não quero dizer que a independência feminina seja algo ruim ao relacionamento, sejamos honestos a entender que muitas mulheres não têm limites e são imaturas em suas escolhas: planejam um filho para três anos, quando sabemos que Jesus vai voltar hoje, planejar é uma coisa, deixar de viver a vida a dois para mergulhar num curso específico é outra e no mínimo o tempo que deveria ser dado ao par, a atenção, o companheirismo, o afeto, as brincadeiras, os passeios são deixados em segundo planos por um sonho capitalista que vai ficar aqui nesse chão.
Muitos leitores dirão que o contexto econômico não comporta um casamento e filhos de início, mas não podemos deixar de crer na provisão divina, passamos a crer no nosso bolso, o nosso salário foi endeusado, passamos a valer o que ganhamos porque Deus foi escanteado como aquele que provê e faz o azeite da botija multiplicar.
Uma coisa é certa, não há espaço para masculinização nem para o feminismo, submissão é coisa de gente amadurecida, submissão não é só feminina, mas também de homens cheios do Espírito de Deus, apenas estes compreendem no tempo e no espaço que a carne de sua carne não tem um papel menor e sim é o braço forte de todo homem que almeja atravessar os desertos da vida, apenas ao lado de um homem “fé – menino”, isto é, homem nas mãos do oleiro, submisso a Deus e amante da carne de sua carne é que a relação homem – mulher perdurará até que a morte os separe sem se separarem mortos em si mesmos.
Portanto, não haverá disputas, nem friezas, o cabeça da família dará a última fala embasada na fala de sua companheira, porque juntos e somente juntos o tecido da vida será costurado por mãos sensíveis que de tão fortes tecerão a casa material e espiritual cheia e revestida do poder do alto, exalando beleza numa adoração plena e aprovada por aquele que uniu o que o feminismo e machismo manchou sem fé na ilusão egoísta do ser, cegos nas suas ignorâncias, bêbados da luxúria do ter, mas crendo que um dia caídos aos pés de Cristo haja um resgate total de tudo o que podia ter sido e não foi, assim submissos a Deus ambos descobrirão na madureza do caminho que o amor chegou e que é possível viver a dois e serem um para o outro uma completude, aqui, agora e até a volta do nosso Deus.
Até a próxima!

André Silva