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domingo, 4 de maio de 2008


Quando o inverno chegar

A intimidade é, antes de qualquer coisa, um desaguar da alma sem reservas a fim de propiciar um relacionamento aberto e sincero com o Pai, está longe de ser apenas uma simples busca, um respaldo para aliviar as tensões ou mesmo uma barganha gerada pela idéia de que estar com Deus será sempre um raiar do sol na primavera da vida.
“Se alguém quiser vir após mim, tome sua cruz e siga-me”.
Pensar na intimidade com Deus pelo simples fato de apenas agradar a sociedade carismática local, de ser visto como alguém santo e que busca, faz de nós meros romanos, quando passamos a orar pelo ter sem se achegar a Ele Por Ele mesmo, pela sua maior representação de amor, mesmo quando o magoamos.
Muitas pessoas correm para os braços da intimidade, talvez com propósitos deslocados, pois no verão da vida, com o sol brilhando e as realizações acontecendo geralmente essa procura desacelera, porém quando chega o inverno a busca se apressa, os dias se tornam nublados pelos problemas da vida, então buscar a intimidade nos dias de tempestade nos faz crer que a misericórdia do Senhor irá ser abundante, mas na verdade a intimidade e o desejo de se estar com Deus a cada dia deve ser o princípio de tudo.
Vale ressaltar que muita gente não se encontra preparada para o inverno, porque ainda há muitas goteiras no telhado da alma a se consertar e esses reparos não se faz no inverno e sim no verão, quando tudo está brilhando, quando o dia está feliz, quando as coisas estão bem, ai sim é urgente o desejo de intimidade para que superabunde a graça de Deus em nós e os frutos sejam resultados latentes e visíveis, assim na intimidade temos um ângulo melhor das coisas, nosso campo de visão amplia, o temor ao Senhor fica evidente em nossas ações não porque nos ensinaram que Ele terrível, que faz justiça, mas pelo simples fato de analisar a contradição em dizer que servirmos a esse Deus de amor, quando não sentimos desejo de estar com Ele por tudo que Ele é pra nós.
Nesse caso, onde você está agora? Vivendo o verão radiante da primavera ou já chegou os dias de inverno? O que você tem feito nos dias maravilhosos e felizes de sua vida?
Em primeiro lugar, é necessário entender que há felicidade mesmo nas tempestades da vida, que os dias bons não são necessariamente matérias, se a tempestade chegou, entenda, existe um caminho, existe uma cruz para carregar, suporte-a, carregue-a, tenha bom ânimo.
Infelizmente muitos caem, mesmo buscando e trabalhando para o Senhor, todavia precisamos entender: mesmo quando lá dentro já estamos entregando a as armas e tombando nas calçadas da vida, existe um propósito para tudo debaixo do sol e por falta da real intimidade traduzida em sinceridade e amizade confidente com o Pai perdemos muitas vezes o ânimo de caminhar, de acreditar, de estar com Deus por ser Ele nosso amigo fiel.
Em segundo lugar, somos impulsionados até mesmo pela comunidade local a buscar ao Senhor pelo poder dEle em realizar coisas, pelas manifestações que Ele possa gerar em seu meio, às vezes colocamos o nosso verdadeiro amigo sentado no trono inatingível, num lugar no qual nunca alcançamos, vestimos Deus com outra roupa, por isso somos íntimos até dos inimigos camuflados de amigos, somos íntimos do tempo por nos entregar a ele com esmero em propósitos matérias do ter sem ser na essência, queremos sempre o verão, queremos sempre vislumbrar o sol raiar pela manhã sem lembrar que haverá na caminhada o inverno de muitas águas fortes que desemboca no mar do escanteio, no mar da angústia, no mar do esquecimento, no mar da falta de espiritualidade e intimidade, no mar das solidão e das portas fechadas para as nossas realizações pessoais, no mar da falta de oportunidades na igreja local, enfim queremos ter, mas sem intimidade até conseguimos ter, mas de forma limitada, porque a nossa visão está aquém do que uma intimidade real com Deus nos proporciona, sem intimidade nossa visão é apostólica romana, é farisaica, é ameninada por não nos doer na alma como doe no coração de Deus tanta hipocrisia no meio do povo, tantas disputas em estar sem ser, porque longe da real intimidade na se pode sentir na pele a necessidade em servir melhor a noiva, mas apenas em fazer média e criar para si um palco de aplausos, mesmo assim, Jesus ainda dá um sopro no tempo, traz o inverno para que na busca por misericórdia a real intimidade seja em si restaurada.
Em terceiro lugar, sem cruz na caminhada nossa vida de intimidade é uma mera farsa, não podemos ter medo dos abismos, afinal sempre há no abismo terra firme suficiente para darmos um salto para o alto; então o que devemos é preparar a casa espiritual antes da tempestade e quando o inverno chegar por sermos íntimos do Deus que tudo pode, teremos a tranqüilidade de Daniel em continuar orando a Ele três vezes ao dia confiantes de que, mesmo na sentença de morte do rei, o nosso amigo dos amigos fará o leão dormir, teremos a paciência de Jó em esperar em Deus ainda que Ele nos mate, pois no fim das contas o nosso redentor vive e se levantará, teremos a confiança de Abraão em entregar aquilo que mais temos de precioso, sabendo que se nos for tirado, Deus providenciará outro melhor, pois Ele nos conhece e sabe o nosso amanhã.
Sendo assim, quando o inverno chegar não se justifique, apenas se renda a ouvir os conselhos do seu criador, não se afaste ao pensar na possibilidade de um possível fracasso, afinal eu e você temos um advogado espiritual, Jesus Cristo o justo; não se atemorize como Davi diante do erro, existe perdão pra você e um inverno ainda maior como conseqüência dos nossos atos, mas as mãos do Senhor não deixarão de ser prosperas em nossas vidas, apenas o desejo dEle nesse inverno que você está passando é que você se coloque como barro nas mãos do oleiro e por fim ser você no verão um servo realmente íntimo e amadurecido para quando o inverno chegar haja em você, em mim, em nós uma busca fidedigna, não por ser Ele o resolvedor de problemas, mas nosso amigo íntimo em qualquer estação.

Até à próxima!
André Silva.

sábado, 5 de abril de 2008

Na leveza de um fardo pesado


Somente no solo seguro da graça de Cristo somos mais que vencedores e é essa a única estrada a qual nos leva à consciência do nosso ser – indo, ainda que pela contramão de nossas fraquezas, somos cientes de que pela graça eu não preciso ser, já sou, por isso nenhuma condenação há.
Nessa leveza de pensamento, estamos certos de que Jesus não nos daria outro peso que não fosse a nossa cruz diária, somente ela nos basta, somente a nossa cruz diária nos prova que fora do terreno fértil da graça sou apenas alguém sem esperança e atordoado com as possíveis modificações para fora do ser, sem germinar para dentro de mim, essa terra, frutos que iluminem meus caminhos nos túneis escuros do velho homem e é desse velho homem o qual produz em nós pecados que vociferam lá dentro, ainda que com roupas exteriores, por isso digo que fora do terreno fértil da graça pessoas andam atordoadas como um remendo novo em pano velho que se rompe com facilidade, deixando buracos mais profundos e propícios à entrada de novos ventos, deixando amostra nossa nudez interior, porque somente o velho homem teima em ser o que não é, somente ele continua preso às amarras da carne, somente ele tenta produzir em nós um peso o qual não nos pertence carregar e é por ele também que acabamos fazendo aquilo que não queríamos.
Por outro lado, além do peso de nossa cruz diária, cruz essa adquirida no jardim pela ação desobediente do homem, há uma inconsciência ou mesmo uma ação negativa sobre muitos que tentam sem resultado ser santo por fora sem o adubo do solo fértil da graça que germina para dentro de nossas primeiras mudanças quando nos encontramos com Cristo, assim entendo que não há mudança no ser se o Espírito Santo não o visitar, não há transformação de caráter no cristão se, mesmo vestido de nova criatura, o velho homem impera e comanda sua vida, não há cristão genuinamente transformado se, com esforços próprios, acreditar que se é capaz de produzir frutos e ser luz longe do solo seguro da graça de Cristo, não há resultados se essa santidade se produz com esforço e justiça própria, acreditando que mudando por fora e agradando a igreja local esteja ele livre dos olhares do onipresente Deus que ver tudo nos bastidores da vida.
Por isso, o Evangelho de Cristo torna-se um fardo pesado para muitos, pela incompreensão de que na comunidade do carisma somos agentes transformadores e não meros personagens para fins estatísticos de uma comunidade evangélica que incha sem crescer, que se emociona, ver anjos voando, mas não se alimenta da Palavra de Deus diariamente, não examina, nem detém os manipuladores da verdade, se vive alienado pela metamorfose aparente e farisaica, se vive descontente, murmurando pelos efeitos e causas de um “evangelho” próspero em bens e pobre em graça, porque consegue ver o outro apenas como alma e não como gente, pessoa humana que precisa de pão e de remédio para tratar suas feridas exteriores, assim como precisa também de uma mão para arrancá-lo da lama que teima em não largá-lo, pois por não ter ainda uma transformação genuína, nem ter tido um encontro real com Cristo, precisa ser acompanhado mais de perto, ser visitado, precisa ser gente no meio de tanta gente que só se promove sem cuidar do rebanho.

“O meu fardo é leve” disse Cristo, “venham a mim como estais e eu vos aliviarei”

Desse princípio se fundamenta e se explica o que é a graça. Eu, cheio de crises existenciais, cheio de pecados, com o velho homem comandando minha vida vou a Cristo e no solo da Graça dEle sou transformado em novo homem e livre de todos os fardos, livre pra ser – sendo eu mesmo com meus defeitos, porque deles não carrego mais culpas apenas rabiscos por ainda ser carne aqui e agora, errando em pensar que ao me encontrar com Cristo estarei livre da carne, mas nessa terra adubada de misericórdia, a graça divina me transforma e me modifica, me faz ser consciente de que sozinho não posso nada, afinal não é o homem que me fará e me modificará, pois crer nisso é colocar mais um fardo nas costas, não é a auto disciplina dos monges tibetanos que me fará ser santo, não é uma lista de podes e não podes que me fará ser luz, tudo isso pode me levar a agradar a comunidade que me rodeia, mas me deixa mais pesado e cheio de traumas por não vencer a mim mesmo quando estou longe dos olhares alheios ao fim do dia.
Ser santo é possível, não porque através do meu exterior modificado eu me justifique no meio, mas ser santo é possível, mesmo hoje num tempo difícil de manejar; sendo assim, quem transforma o homem é o Espírito Santo e não normas e não os comandos do homem, e por ser tocado e colocado nesse chão seguro da graça divina, não preciso ser pressionado a vestir ou fazer, pois não me visto pra ser, me visto porque já sou, não deixo de mentir pra ser santo, mas não minto por que já sou, não deixo de visitar sites pornográficos, refolhar revistas e conteúdos mundanos pra ser santo, mas não faço porque sou ciente do peso de todas as minhas falhas jogadas sobre os ombros daquele que me redimiu, portanto a Cristo somos gratos, Ele carregou sobre si nossas culpas, mas com desculpas tornamos seu Evangelho pesado e difícil de suportar, quando na verdade ele é mais leve do que a primavera com suas flores nascendo e exalando seu perfume ao vento.
E é por essa leveza que podemos ser – sendo nós mesmos sem máscaras, somente pessoas livres conseguem sentir a leveza do caminho e no caminho da graça lavar os pés da poeira da vida, porque mesmo estando fraco nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, pois a carne em seu velho homem morreu e vive hoje o novo, logo no novo homem não há dúvidas, receios e vozes do passado, apenas uma cruz para suportar até o dia em que aqui viver e nessa cruz reúnem os embustes do caminho estreito que só podem ser vencidos conscientemente dentro do solo da graça, fora dele é uma estrada escura e sem fim, porque ela é projetada em caminhos humanos e cheia de justiça própria. Por isso, continua pesada e difícil de trafegar.
Leveza é poder contemplar a graça no seu solo fértil e seguro numa estrada estreita e possível de caminhar, porque nesse chão a lei é natural e não imposta, então se a sua mão te faz errar, não precisa cortá-la fora, mas lança fora o que faz ela pecar. Na lei é a mão que cortamos, na graça precisamos cortar os efeitos da velha natureza na mão e mesmo aparentemente sendo mais pesada que a lei, a graça é tão leve, pois trata as feridas no interior para se ser – sendo. Na lei há uma necessidade de se achar que no exterior há possibilidades de se justificar, quando a alma ainda anda suja.
Fardo pesado é: acreditar que somos mais santo que os outros por produzir muito, pelo nosso esforço e justiça própria, justificados por fora, sem misericórdia por dentro, sem afeto e compaixão, com nossas disputas pelo poder, entregando o outro para se promover em nosso egoísmo e projetos ambiciosos, com o nosso olhar julgador ao medir a fé do próximo, doando um quilo de feijão sem doar o coração, com nossos ciúmes e taras existenciais, sem lembrar que jamais haverá lugar aqui para super crente e se existir um entre nós, esse é uma farsa projetada pelo meio farisaico - social, porque até Paulo, aquele que carregou as marcas de Cristo foi sincero em falar sobre os perigos os quais a carne trazia sobre si e sobre tudo o que não queria fazer com ela, mas fazia admitindo ser homem forte e fraco e enquanto aqui estivermos assim também seremos, porém ainda há aqueles sedimentados nos seus próprios dogmas, acreditando que só ali ou nele há verdade.
Assim, vamos seguindo leves, caminhando na lama sem se sujar, andando nas ruas de cabeça erguida por sermos luz, luz que nasce dentro e ilumina fora afim de, com a ajuda do Espírito Santo, libertar almas, não para sermos luz apenas, mas para brilhar em nós o nome de Cristo e não o nosso nome, assim sou livre e me sinto leve dentro desse jugo suave, porque ainda que eu caia amanhã, este cair não estava em meus projetos, porque estando no solo da graça sou agradecido pela libertação da minha alma para transitar sem neurais nessa terra, sem precisar de comandos para obedecer, pois obedecer a Deus é o meu comando e deve ser o seu aqui e agora, não para ser alguma coisa, não para ser promovido no meio, não para que seu nome seja a estrela que brilha, mas para que a Estrela do amanhã, Jesus Cristo, esteja em nós para aqui iluminar os becos escuros e arrancar da sarjeta os que gritam por uma oportunidade de ser, por Cristo, transformados, justificados pela graça e livres na leveza de ser Cristão transformado e triste ao ver cristãos sem transformação bancando sozinho suas mudanças por ser, o evangelho, ainda um fardo.
Até à próxima!
André silva

quarta-feira, 26 de março de 2008

Quem é o meu próximo?

Essa foi a indagação feita a Jesus e a todos que o rodeavam, para nós essa indagação sobrepuja tudo o quanto percebemos ao nosso redor e olhamos sem ver o que vemos dentro de nós mesmos, porque fora de nós, apenas medimos ou intercalamos limites para o próximo que nunca foi próximo e geralmente esquecemos o próximo que está perto, mas bem distante, e ficamos sem saber quem é o nosso próximo, simplesmente porque o nosso próximo transformou-se em interrogação, logo vem a pergunta: quem é o meu próximo?
Ao responder essa curiosa pergunta, Cristo mostra diante dos nossos olhos um personagem distante, mas bem próximo nosso, embora distante de nossas expectativas, porque aquele que geralmente faz o bem ao próximo não o vê, mas no intervalo de tempo em que alguém precisa de sua ajuda, o próximo já está dentro de si mesmo, ou seja, só enxergamos o próximo quando o próximo está dentro de nós e não ao lado.
Nessa direção, se observamos o próximo por esta ótica, contemplaremos com júbilo o segundo maior mandamento bíblico: “amar o próximo como a si mesmo”. Eis a razão de Cristo mais tarde dizer, que no fim dos tempos o amor de muitos se esfriaria. (Mateus 24.12) Ora, se o próximo não mora em mim, então não posso amá-lo, posso acariciá-lo, posso falar com ele todo dia, mas não sinto com ele suas dores, ele apenas é um alguém que vejo sem ver, porque se esse for o meu próximo, com certeza eu carregarei suas dores comigo. Cristo foi o maior exemplo disso, Ele morreu por nós, por que nós estávamos dentro dEle, então, quem é o nosso próximo? Olhe dentro de você e responda a pergunta.
Não quero com essa afirmação, propagar o assistencialismo já fadado em si mesmo, que prolifera mundo a fora com ofertas grandiosas de pão e dinheiro, até porque o assistencialismo também não enxerga e não sabe quem é o seu próximo, por também não sentir as suas dores, tem muita gente enganada com suas doações, pois doa alimento, mas não doa o coração. É necessário fazer como o bom samaritano, (Lucas 10.33) além de doar uma boa hospedagem ao ferido, ele mesmo tratou de suas feridas, por isso já está provado: os médicos que chegam mais próximos do paciente têm maiores resultados, os pais que assistem mais de perto seus filhos ganham mais respeito e confiança, porque não é apenas um brinquedo, nem uma receita, mas um olhar, um toque, uma fala, um gesto.
Quem é o meu próximo? Descobriremos isso na oração do Pai nosso, mas às vezes nos passa despercebido tanta coisa nessa oração, pois ela virou reza costumeira de palavras puramente repetidas e não uma conversa, um desabafo com o Pai, afinal: “que seja feita a tua vontade assim na terra como no céus”, mas qual é a vontade de Deus? Que amemos uns aos outros, que nós venhamos a fazer a vontade dEle aqui e agora, caso contrário, essa vontade não se estabelece nem aqui nem lá no Reino Celeste, então, se eu não enxergo meu próximo, como posso proferir essa oração? Se eu julgo, não vou com a cara, não suporto, então se torna pura hipocrisia fazer da oração modelo, minha oração diária, quando o dono da oração: Jesus Cristo, nos manda amar o nosso próximo, nele, com ele, por ele, pois sem ele, o meu próximo passa ser o meu umbigo, meu centro das atenções, mas o verdadeiro cristão o ama como a si próprio, porque assim pediu o nosso Pai que está nos céus, então amemos, mesmo sem vê-lo.
O que me deixa maravilhado com Jesus é que Ele não tem nenhum rabo preso com sistemas ou ideologias, culturas, crenças e opiniões, ao contrário, Jesus declara que o nosso próximo não é apenas aquele coitadinho a quem mandamos a cesta básica, nem mesmo aquele a quem temos dó, mas o nosso próximo também são as pessoas a quem nos odeiam ou odiamos, logo: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos maltratam, para que sejais filhos do Pai que está nos céus, pois se amardes os que vos amam que galardão tereis? Não fazem assim os publicanos?” (Mt 5.39-48) Com isso Cristo estabelece uma regra básica de sua pedagogia a qual desmantela todo esse sistema social que impera hoje: Se alguém não ama aquele a quem está vendo, como pode amar a Deus a quem não ver? (1ª João 4.20)
Para a sociedade, temos que amar aqueles que nos amam e sentenciar à “morte” todos aqueles que atravessam em nosso caminho, para a cultura que rege nossa sociedade, o nosso próximo é aquele a quem nos faz bem, é aquele coitadinho a quem devemos ajudar nas grandes campanhas contra fome para sermos bem vistos na sociedade e aplaudido por todos, mas não se engane! Isso é apenas “assistencialismo”, pra ser amor mesmo, o próximo tem que está dentro de você como uma dor que lateja.
Quem é o seu próximo? Sinta a dor dele e conhecerás, chore com ele e ficarás sabendo, permita-se doar, ame, perdoe, dê a sua outra face e descobrirás o seu próximo e com ele terás um grande galardão aqui e lá no céu junto ao Pai que o espera no reino dEle na glória, nos céus.

Até à próxima!
André Silva

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Quando o amor se tornou inútil


De palavra mais profunda a mais chula, rasgada como pão seco em dentes famintos, massageadora de corações de pedra à banal presunção, o amor, tema tão desejado entre os seres humanos poderá virá inútil a qualquer momento. É o que diz a notícia diária de nossos olhos tenros por amor, mas distantes de contemplá-lo, o jornal da vida entrevistou pessoas nas ruas em uma grande pesquisa e o resultado não foi nada animador.
Foram entrevistadas gente de diversas classes sociais, raça, religiões e ideologias, mesmo assim a resposta foi unânime: amar faz bem a alma, o problema é como e quando amar, isso porque a preocupação geral dos entrevistados estava na sua carência, a predominância estava em amar se for amado, isto é o que estanca o fluxo do amor e, sem percebermos, começamos a nos distanciar dessa dádiva por acreditar o quanto a maneira como conduzimos este barco já é suficiente, por isso há tanta gente murmurando, chorando ou batendo no peito, proclamando -se bem feitora de um amor o qual ela mesma não plantou, não regou e, por tabela, não colherá.
Observe que aquele jovem rico da parábola de Cristo em Mateus 19:16 era um homem de boa reputação na sociedade, cumpridor dos mandamentos de Deus, mas Jesus disse que ainda faltava algo para ele alcançar a vida eterna, nessa direção, não vejo outra coisa que restasse para ele ser feliz senão o próprio amor. Em que está apegado o teu amor? O exercício de suas palavras e ações têm levado você procurar restabelecer o que está faltando? O amor daquele jovem estava infelizmente e inutilmente nas riquezas.
A máscara da emoção contorna em ações e palavras nossas bocas cobertas de verdades e a verdade é: eu sou, eu tenho, eu faço, quando na prática é o inverso. Nosso dedo vive sempre direcionado a julgar o amor dos outros, mas não é capaz de apontar para nós mesmos e dizer o que precisamos para amar mais e melhor, por outro lado estamos deixando escapar a felicidade desejada, pelo simples fato de estarmos no lugar errado, depositando nosso amor na coisa errada, embora bela, concentrado no que não deveríamos, suando a camisa em busca de uma realização pessoal, ejaculando muita emoção sem o esperma do amor, tudo porque nosso mundinho de sonhos desse castelo feudal o qual erguemos em torno de nós nos diz que a hora é agora, sem perceber que para alcançarmos a felicidade, a estrada de pedras e barreiras no caminho pode se tornar um beco sem saída ou uma saída no beco, se atentarmos ou não às palavras do Mestre.
Bom Mestre, disse o jovem rico. Jesus respondeu: Ninguém é bom, senão um, DEUS.

Se você é daqueles que sempre tenta agradar para não magoar, diz que ama, mas não chama à responsabilidade os que te cercam, tenha certeza, seu amor começou a se tornar inútil. Se você diz que ama, mas no fundo quer ganhar algo em troca, fique sabendo que o fim mercantilista desse amor será um mero troco e nunca o lucro desejado. Se você ama apenas para agradar a sociedade, coitado de você, seu amor se tornará inútil porque o amor o qual nasce dentro de nós tange quaisquer expectativas no exterior. Se seu amor só existe para um seleto ciclo de amizade, saiba então, ele se tornou inútil, porque a regra básica da felicidade verdadeira é amar a todos sem distinção e o próprio Deus diz: aquele que não ama o outro não conhece a Deus, é mentiroso e que sem amor nada o quanto você venha fazer terá valor. Se você ainda acredita ou é capaz de dizer que ama, mas não é capaz de perdoar quem o maltrata, não vai com a sua cara ou o magoou um dia, não adianta, seu amor morre aqui, inútil, porque o trunfo do amor é dar um tapa sem mão na discórdia, amando, porque o amor consegue, sem medo, dar a outra face para discórdia bater, pois sabe que o fim é doce e eterno, não tem preço.
O amor não tem vergonha de amar, não escolhe lugar, estereótipos, condições financeiras, idade, apenas se vale do próprio amor como arma, não vive em conchavos buscando um modo para se autobeneficiar, porque não existe ganho melhor para nossas buscas quando o fim é o amor, por este prisma, o amor é de aparência pobre e a sua virtude se veste do nada para se fundir num tudo, o amor nunca vestiu a blusa do orgulho nem se maquia com o batom da elegância, o amor é simples, tão simples que muitos não enxergam seu brilho, por estar acostumado ao brilho falso e artificial da enganosa emoção.
Esperávamos Jesus num trono e berço de ouro, pois Ele é rei, mas seu amor por nós acabou de nos provar que nada material neste mundo, nem ninguém poderá nos dar o amor que Ele nos deu e por deixar-nos o seu exemplo, Ele nos pede constantemente em sua Palavra que amemos como Ele amou, caso contrário vai se tornado inútil nossa forma de amar e Ele continuará a nos amar, se quisermos, porque o amor também é uma escolha e vai se tornando inútil quando achamos um valor para o amor,
se torna inútil quando continuamos achando que o encontramos em qualquer esquina, se torna inútil quando acreditamos que ele mora em algum olho azul de braços fortes, num jeans apertado de algum corpo sensual ou no assistencialismo de muita gente que doa um quilo de feijão, mas não consegue doar o coração, inútil ao crer o quanto acreditamos amar mais que os outros e com isso, vamos nos tornando apáticos e sem esperança, porque para sermos amados de corpo e alma é preciso antes fazer uma análise de nossas ações para com o outro, senão se desgastará antes mesmo de você provar dele, se desgastará primeiro e interiormente com suas ações diárias, por que Deus nos assiste do céu a todo segundo, se desgastará quando percebemos que o amor o qual queremos colher é diferente do amor que plantamos no dia a dia e quando dizemos, “ninguém me ama”, estamos apenas consciente de que o outro jamais poderá nos ofertar o que nunca plantamos ao longo de nossa caminhada, por ser inútil, quando antes deveria ser belo, simples e sem barreiras entre nós e o outro.
Que o tempo o faça refletir o tipo de amor que você está doando agora, por qual caminho sua meta em ser amado está trafegando? Que você possa perguntar ao próprio DEUS, que a fonte do amor como amar, como não tornar inútil o amor que existe em você, através de sua Palavra, a Bíblia, você poderá aprender a olhar para discórdia e doar sua outra face sem medo, pela Palavra do Deus de amor, aprenderemos que amor com amor se paga, senão agora, mas um dia, pois o verdadeiro amor espera e tudo suporta, não cansa, mas sempre renova suas forças, uma vez que amor não é troféu, mas uma estrada a percorrer e serão os seus pés, seus olhos, suas mãos, suas palavras e suas ações as quais colherão na esquina da vida os frutos de um amor plantado por você. Então, que tipo de amor você quer colher no final? Saiba, Amor não é sorte, nem jogo, apenas ação nossa no outro, com o outro, pelo outro.
Sendo assim, se você plantar o amor o qual o mestre Jesus pediu, pode até demorar, pode até ser sacrificado, pode até custar caro, pode até haver traições e decepções no caminho, mas na encruzilhada da vida, haverá amor como pagamento por todo preço sofrido. Agora, se você continuar semeando amor fazendo acepções de pessoas, usando seus interesses e jogando mercantilistamente, você também colherá amor, você também gozará, ainda que precocemente, uma felicidade e amor inúteis.

Até à próxima!
André Silva

sábado, 17 de novembro de 2007

Liberdade cristã
e o cancro das verdades humanas

Bastava uma palavra e o impossível acontecia, foi assim que Deus usou a liberdade da sua palavra para criar o mundo, mais tarde, Cristo, enquanto Verbo encarnado, não se deteve diante de tantos arroubos, dificuldades, omissão, invejas e traições, pois a sua palavra soava livre de qualquer vírus transmissor de discórdia e com misericórdia suspirou à beira da morte um pedido de perdão junto ao Pai a todos aqueles a quem não o entendeu, mesmo assim, o maior desejo de Cristo era o de liberdade: a liberdade da alma.
Nessa direção, Madalena corre ainda prisioneira ao sepulcro, mais tarde Cristo com sua ressurreição, sentencia a liberdade a todos sem exceção, mas os apóstolos continuaram meses detidos mesmo depois da ordem expressa do Mestre: “Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16।15)

O que significa então, esse “Ide”, para você?

No bojo das relações humanas, percebemos que o “Ide”, descaracterizou-se em relação ao intervalo entre o ser e o não ser, passamos a construir nosso sistema feudal, depois de termos sido alcançados pela graça dAquele que nos libertou, para mais tarde nos algemarmos a tanta ideologia, preconceitos e “plaquissísmo”, o “Ide” a todo mundo, ficou tão longe, que nem temos coragem de ir ao vizinho ou mesmo ao colega de banca lá na faculdade, porque nosso feudo de sonhos e realizações, esqueceu-se da tarefa que liberta, mesmo sem estarmos libertos, pois a Palavra não respeita nosso comodismo, ela vai assim mesmo sem nossa boca, às vezes embolando pela calçada empoeirada em forma de literatura que algum curioso apanha e lê, medita e se transforma no transcurso em que naquele momento muitas bocas se calam.
Há muitos motivos os quais tornam a liberdade cristã numa pseudo-prisão e podemos crescer e acompanhar a trajetória daquele o qual não se deteve a nada: nem a ideologia política, nem as amarras da cultura, nem mesmo aos arroubos da carne, é verdade, falo de Paulo, para ele, divulgar o nome de Cristo e seu Evangelho foi o maior prazer. Quando solto não temeu diante daqueles que o quiseram prender e matar, ainda que preso, deu um jeitinho de divulgar e levar a Palavra aos necessitados, podemos dizer que o “Ide” foi efetuado por este homem. (Atos)

E se Paulo vivesse hoje em nosso sistema capitalista e cheio de arrumadinhos? Certamente, Paulo não estaria estagnado como nós, preso a nossa própria liberdade, se ele usasse os púlpitos de hoje, a graça seria melhor distribuída aos sedentos e, ao invés de tanto favoritismo e oba-oba, não faltaria liberdade, pois Paulo certamente não teria o rabo preso com o sistema, pois importava alcançar as almas, não interessava de onde elas vieram, como elas estão vestidas, não importa seu relacionamento com o poder que rege o meio, Paulo com certeza teve uma, entre tantas boas intenções, ganhar e não só ganhar, mas também estabelecer almas num só corpo que é Cristo.
Para muitos, cristianismo virou placa e moda, o “Ide”, verbo mais importante do Evangelho, acomodou-se nos tantos louvores de vitória, porque a ambição pelas vitórias terrenas é tanta que o céu prometido por Cristo virou miragem em conto de fada. Esquecemos que Cristo morreu em resgate de muitos e não apenas em favor de nosso mundinho de sonhos, do piso de nossa igreja que precisa ser ladeado de mármore, mas em favor das almas que perecerão no inferno por tanta negligência de um cristianismo que só fala, mas não faz, que se calou depois de grandes bravuras de nossos irmãos em Cristo lá no início da igreja em Atos, um cristianismo que acorda pela manhã e vê o seu povo preocupado com a opinião da astrologia, da mídia e do meio, pois não está mais conseguindo sobreviver sem o meio, tudo isto por que estamos insensíveis às palavras do Mestre, mas sensíveis à luta pelos cargos eclesiásticos, pelos melhores assentos no templo, pelos espelhos que cegam nossa sede de transcendência, falamos muito do céu, mas nossa falta de amor ao outro, a Palavra e a obra de Deus já nos deixa sentir as chamas arderem nossa alma e consciência por tanta hipocrisia.
“Tudo, ó Cristo, a ti entrego; tudo, sim, por ti darei”.
Sua liberdade cristã tem deixado você fazer tudo por Cristo, por amor a Ele ou apenas o que é conveniente a você?
Miserável liberdade que nos condena, mesmo assim, Cristo liberta dessas amarras quando queremos caminhar nEle, com Ele e por Ele, ainda que custe sofrimento, perseguição, invejas, tramas, deboches, porque, quem nasce de novo ainda que preso a qualquer coisa ou “liberdade”, deixa a Palavra caminhar sem medo, ninguém pode deter a verdade, pois a Palavra é poder, Ela cura almas e torna livre qualquer cativo, mesmo ainda os de pouca fé, os de pouca roupa ou os de pouca palavra.
Mesmo sem a liberdade, grandes nomes fizeram o papel que cabe a nós hoje e viraram mitos, porque se libertaram do meio e das ideologias impostas pela sociedade, quisera eu saber se houve para estes liberdade em Cristo à beira da morte. São Francisco de Assis, madre Tereza, Ghandi e outros certamente teriam a coragem de Paulo em divulgar Cristo, mas preferiram divulgar o amor ao próximo, porque acreditaram que por esse viés Cristo já se faria revelado sem intenções como aquele bom samaritano, não me atrevo em dizer aqui que a liberdade do Evangelho não os alcançou antes do suspiro final, prefiro dizer apenas que o “Ide” precisa hoje de um pouco deles em nós, pois o que eles fizeram em prol de uma ideologia sem Cristo, poderíamos ter ao menos coragem de fazer mais por saber que Cristo está em nós.
O que motivam pessoas a subir escadas de joelhos, amarrar bombas na cintura, deixar tudo e sair como peregrino, deixar o mundo pra viver em mosteiros suas vãs filosofias? O bojo motivador desejo de ir – sendo, não deveria ser também o nosso?
O problema é que a liberdade que deveria desembocar em nós como parâmetro medidor de compromisso e obediência, acabou lavando nossas mãos com águas da omissão, dessa forma acabamos passivamente nos acostumando com os clichês que a cultura montou sobre a figura de Cristo sem perceber que o Jesus dos Evangelhos é bem diferente. Com os clichês, o cristão não precisa pensar em compromisso, as bênçãos são mais importante, a prosperidade é o alvo, disputar cargos na igreja é o primordial, enquanto as almas estão morrendo.
Com isso, compreender a liberdade requer, antes de tudo, se estabelecer na verdade de Cristo através de seu Evangelho, então pergunto a você: o que é a verdade? Você está andando na verdade de Cristo revelada em sua Palavra ou em sua própria ideologia de verdades?
Saiba: viver a liberdade através da verdade de Cristo requer suor, lágrimas e desertos, mas viver nossas ideologias cheias de verdades nos conduz a uma pseudo liberdade até então confortável e justa, acreditando, como os fariseus, que suas atitudes exteriores poderiam levá-los ao céu, sem lembrar que no céu só entra santo, lavado, remido, com frutos verdadeiros e sem hipocrisia.
Sendo assim, enquanto os “muitos chamados” se omitem por dentro e faz por fora numa ideologia cheia de verdades humanas, os poucos escolhidos, continuam conscientes de seu papel em semear a Palavra que liberta, porque é livre em Cristo, livre do comodismo, livre do legalismo que abafa a Graça, livre para dar frutos onde quer que vá e esteja, livre dos contratos ilícitos com o poder, livre para ser o que é, sem medo, apenas com medo de não ser livre e de se acomodar com tudo que está ai, bem na nossa frente.

Até à próxima!

sábado, 6 de outubro de 2007


Juventude cristã: felicidade e paradoxos


Algumas pessoas passaram, de um tempo pra cá, a questionar irmãos e irmãs que a partir dos trinta continuam só. Essa tem sido uma tecla subjetiva em nosso meio, entregaram à cultura o penhor da felicidade ao casamento e por ironia estão vendo a benção se transformar em maldição.
Por esse viés, observei que muitos assuntos ainda são tabus numa época de tanta tecnologia e informação, o jovem cristão, por medo de ser punido e ter que se retratar em plena igreja, prefere buscar tais informações com amigos ou na Internet, viajam em minutos em mundos complexos para suas idades, por outro lado, os jovens de hoje estão vestindo uma roupa que não cabe neles, estão pulando etapas, tudo isso porque os pais transferiram a educação para a escola e a igreja, quando a escola secular faliu no propósito de sustentar junto com a igreja os valores morais; enquanto a igreja ainda teima em omitir certos assuntos aos jovens sem perceber que se ela não trata de certas questões antes de acontecer, vai ser obrigada a chorar com eles depois da queda.
Nessa direção, empanturrados de uma massa levedada, os pais cristãos de hoje baseiam a felicidade dos filhos por uma ótica estritamente mundana, almejam seus infantes graduados na sociedade. O diploma tornou-se um alvo e por tabela um casamento bem sucedido, embora não quero com isso dizer que Deus não possa nos fazer homens e mulheres de sucesso na área secular, mas não é esse o objetivo de Deus pra nós conforme escreveu Paulo: “Não vos conformeis com esse mundo”, salgar a terra, ser luz, fazer a diferença em tempos tão difíceis como o nosso cuja santidade foi rasgada de alto a baixo e é uma empreitada difícil pra a juventude da igreja a qual internalizou a felicidade senão por um troféu a conquistar sem entender que suas ações interiores decidem o prêmio que irão receber.
Quando irmãos maduros questionam o porquê alguns irmãos(ãs) não estão namorando ou ainda não casaram, fico a perguntar: O que é felicidade pra essas pessoas? Por qual ótica baseiam a felicidade de seus filhos e ovelhas?
Percebe-se nesse nicho uma contramão de informação, os prazeres de hoje são os mesmos do passado, a questão é que os filhos do presente estão sendo criados com objetivos opostos e contraditórios. Deus disse a Moisés no monte: “Eu sou o Deus de teu pai...” A diferença está ai, Deus já não é contado e experienciado na boca de muitos pais na trajetória de seus pequenos e por motivos mercantilistas, adotaram a felicidade como sinônimo do sucesso material, logo preferem entregar a jovem filha a um jovem crente sem experiência com Deus, mas próspero nos caminhos da vida, simplesmente porque tal escolha assinala o gosto do povo, estão criando filhos para sociedade e não para Deus e até dizem: “seu filho se formou? Que benção! Seu filho casou com a filha daquele grande comerciante, como Deus é demais!” O bojo de tal escolha e o ter e não o ser e por isso, muitos se casam e param na caminhada da vida por se descobrirem incompatíveis com a alma, porém bem compatíveis de corpo.
Infelizmente, criaram jovens na igreja com louvores, ter o filho no conjunto musical tem sido ainda hoje uma maneira frágil de pensar que eles estão seguros, eles sabem cantar todos os hinos em contrapartida, não sabem defender sua fé simplesmente porque Deus tem estado bem distante nos lares cristãos, os propósitos têm sido outros: edificar filhos bem sucedidos em sociedade parece uma benção, quando sua fé é minada nos diversos setores de suas vidas. Sendo assim, que felicidade pode se alojar ai? (Provérbios 16.25)
Parece que estamos criando um atalho para felicidade, não se vê mais Jacós trabalhando dobrado por uma Raquel, mas diversos Sansãos abobalhados com a formosura das muitas Dalilas e o pior que tais Dalilas não estão no mundo, mas ao nosso lado, os nossos obreiros pedem pra fugirmos das tentações dessa vida e se esquecem de dizer que tais desejos estão bem trajados no banco ao lado. Os obreiros por sua vez, falam tanto em jugo desigual sem entender que não precisamos ir muito longe, pois tal jugo se estabelece em muitos cristãos que ainda não nasceram de novo, apenas vestiram a roupa da placa eclesiástica cheia de justificação sem desfrutar da graça que o sangue de Jesus nos condiciona; por isso nós jovens cristãos até queremos fugir dos desejos dessa vida, mas somos empurrados a pecar pela santidade legalista transvestida de sensualidade nas roupas e gestos das jovens irmãs em nosso meio e por isso, a cultura dos filhos e filhas cristãos se liquefez em lascívia de uma moda nada atual e nela, muitos casamentos passaram a ser uma licença pra não pecar, quando antes era um acordo mútuo de almas que se disponibilizavam a reder suas vidas ao serviço do Senhor.(Gênesis 24)
Moisés foi amamentado pela mãe após ser achado pela filha do Faraó, que o preencheu de secularismo, de títulos e diplomas, mas o coração de Moisés rejeitou o sucesso quando Deus o chamou para libertar o seu povo, pois seus pais, bem cedo, os criara nos caminhos e condutas de seu Salvador. Hoje, os pais e filhos estão encantados com o palácio, com as regalias e aplausos de uma vitória mascarada, de uma felicidade clandestina quando vêem afundar o lado espiritual de seus filhos os quais deveriam ser criados para terem temor e servir a Deus mais que a si mesmos. (Efésios 5.15 – 17)
Ainda existem moças e rapazes sem pressa, ainda que a cultura secular soe na voz de alguns obreiros cheios de dúvidas sobre masculinidade e feminilidade, mesmo assim, se você ainda olha como a cultura e não ver com os olhos de Deus, esse é meu recado para você.
Não tenho pressa, quero procurar minha amada com a alma, não tenho pressa por saber que as delícias do corpo não são delícias sem sentimento, mas enjoam, se estivermos centrados nelas, não tenho pressa pra ser feliz, já sou feliz em Cristo nessa nova vida herdada no novo nascimento que sua graça me proporciona, sou feliz em mim mesmo na minha condição de ser eu, sem medo e sem frustrações, por isso não tenho pressa, nem preciso ter pressa acaso eu tenha uma chamada missionária; assim como Paulo foi fiel a Deus num mundo não tão diferente do nosso, mas consciente de tudo isso que o cercava, não tenho pressa porque sei que a escolha é um processo qualitativo forjado no meu coração com aprovação de Deus e não com aprovação da cultura local. Não tenho pressa, porque sei que a minha vida depende exclusivamente de Jesus, é no caminho dEle que devo me estabelecer e não nos meus intentos.
Por caminhos que parecem justos, muitos têm declinado espiritualmente, viver pra Deus tornou-se um acordo: primeiro eu me estabeleço como gente nesse mundo, depois acordamos sobre essa coisa de viver pra Deus. Viver pra Deus tornou-se antes de tudo, ganhar dEle o sucesso aqui, pra depois pensar se esse sucesso pode ser pago com trabalho em sua casa e por esse caminho o contrato se desfaz antes de acontecer, o jovem investe em sua carreira promissora e descobre que não tem tempo nem pra ele mesmo, logo vira domingueiro, sem lembrar de buscar a Deus em seu quarto, pois a busca por uma vida financeiramente estabilizada têm sido prioridade na educação de muitos pais os quais Investem pesado nos estudos, na beleza e no laser dos filhos, sem investir na vida sincera com Deus. Nessa direção, eles crescem com conceitos deformados, não conseguem se firmar na fé e acabam sendo obrigados a colocarem máscaras, vivendo uma vida cristã insípida, porém secularmente feliz. (Mateus 6.33)
E por essa ótica, estamos vendo muitos jovens casados vivendo divorciados sob o mesmo teto, pois não conseguiram o sucesso esperado e por tabela se frustraram por não encontrar no outro a coluna de apoio espiritual para vencer as barreiras, porque ambos passaram a juventude alimentados apenas com louvores sem Bíblia e sem culto doméstico e a única alternativa são dois caminhos os quais geralmente acontecem no seio cristão: viver de aparências para sustentar a máscara da justificação própria ou radicalmente abandonar o barco. E essas escolhas pesam à igreja que deveria ter amamentado seus filhos com leite racional sem metamorfosear o leite com belas canções, mas que não seguram o jovem de hoje devido à cachoeira de informação que cruza o seu caminho. (Efésios 6.10 – 18)
O que é felicidade então?
Na ótica de Deus é que vençamos o maligno, não podemos acreditar que devemos ser sal nas quatro paredes se não temos força de salpicar nas ruas dessa sociedade relativista esse Evangelho que dizemos mudar o ser humano. Na ótica de Deus felicidade será estabelecida se entendermos que nascemos pra viver pra Ele e não para os nossos bel - prazeres. Na ótica de Deus seremos felizes se nos rendemos aos seus propósitos. Há uma carreira proposta e ela não está nos holofotes da mídia, nem mesmo no sucesso das bênçãos matérias, mas tão somente, seremos felizes se corrermos em busca de um único troféu, o caminho estreito que leva aos céus. (Hebreus 12.1)
Sejamos diplomados sim, alcancemos o sucesso secular sim, mas se esse sucesso for pra mostrar a todos que o Senhor é quem faz tal coisa. Deus ainda que usar casais fracassados, se eles deixarem de olhar seus umbigos e entenderem que o desejo do Senhor é que os dois sejam um instrumento, uma flecha na mão do Forte.
Deus ainda que estabelecer pactos com jovens, mesmo em tempos tão modernos, Deus quer usar jovens, adolescentes, pessoas solteiras e casados nas tantas vias de acesso desse mundo: nas faculdades, escolas, na Internet e no trabalho. Deus quer usar advogados e juizes falando a verdade sem precisar vender-se ao sistema corrupto; Deus quer usar médicos e psicólogos nos hospitais da vida, tratando com amor e semeando o Evangelho que cura a alma e não meros profissionais que só visam o lucro sem olhar no olho do paciente; Deus quer usar professores falando a verdade da vida numa filosofia cristocêntrica e não professores descomprometidos com as almas que ali estão; Deus quer usar policiais para falar ao encarcerados que Jesus é vida, que o mal que os prendem é espiritual e deve ser atacado com a presença de Deus na vida através de uma entrega total, Deus quer usar faxineiras que no zelo da casa de seu patrão deixam um testemunho cristão que fala mais alto, através dos louvores de sua voz agradecida pela felicidade em perceber que o pouco com Deus é lucro; Deus quer usar os motoristas de ônibus, taxistas e guardas – noturnos nas tantas vias urbanas de nosso país por não terem medo de estender as mãos as tantas Madalenas possuídas por espíritos imundos, mas carentes do amor de Cristo, dos homossexuais e tantos que perambulam nas calçadas sem teto e sem pão por, num momento oportuno, dizer a eles que Deus tem algo melhor, uma promessa que não falha, tem vida e vida com abundância; Deus quer usar você, jovens solteiros e todos os casados, portanto estendam as mãos e a voz; eles também têm uma alma, deixemos de acreditar que só os bem sucedidos têm o direito de seguir a Deus, então só dessa forma veremos a felicidade.
Enfim, podemos deixar claro ao mundo vil que ser diferente não é vestir roupas, mas é ser consciente que a nossa salvação custou preço de sangue e por isso estar no meio deles não ludibria nossa fé, mas com Cristo é possível ser feliz, mesmo sem os manjares dessa cultura tão impregnada em nosso meio. (João 15.16)
Felicidade é um caminho árduo de uma busca por Deus que não pode esfriar, de uma busca que não acaba no casamento, mas recomeça ali no esquentar dos lençóis, na cumplicidade de sentimentos cuja Palavra os alimentou durante a explosão de hormônios e proporcionaram a ambos uma plena madureza e segurança, por estarem calçados num porto seguro, os propósitos de Deus: nossa felicidade. (João 4.31-36)

Até à próxima!
André silva

sábado, 15 de setembro de 2007

Quando o sentimento se desfaz em rotina


Certo dia, uma simples conversa foi o ponto de partida para tal investigação e desse dia pra cá, tenho parado pra ver o que antes apenas olhava, assim como você, a maneira pela qual a felicidade é tratada nos relacionamentos e o quanto há de fantasias para alcançá-la ou mantê-la. Mesmo assim, nossas raízes parecem estar profundas e matam sua sede em poços não muito apropriados. A cultura secular é o poço e sua filosofia é a água que dá de beber sem matar a sede de seus súditos. Até quando continuaremos olhar sem ver tudo isso? Comecemos a ver essa água brotar da terra seca e nos deter em seu percurso para podermos refletir se dessa fonte mina água potável.
Quem sabe você hoje veja e não apenas olhe, porque qualquer olhar é vago sobre o objeto, mas quando não nos detemos em ver, as escamas do delírio interrompem nossa percepção. Olhar sem ver é miopia, é ficar submisso a um ponto perdido, quando há vários pontos a se analisar nas caminhadas da vida, existem muitas pessoas que por não ver estão tropeçando nos abainhados das suas indecisões e até vêem, mas se detém no único ponto a qual lhe foi dado como verdade absoluta. Com isso, gostaria de sua percepção em alguns pontos bem nossos, embora exclusivamente culturais os quais se metamorfoseiam como solução para felicidade e restauração dos corações, mas saiba, você precisa ver e não olhar apenas, então venha e veja.
Depois que vi, passei a escutar melhor, vivo em auto-reflexo, basta uma palavra ao longe e já estou captando o menor sinal e por estar cercado de pessoas todos os dias, passei a escutar e me perguntar o porquê a química dos corpos é o objeto primeiro para análise do outro? O que é essa expressão que recheia a boca dos jovens? “Se não tiver aquela química não dá”. Daí, percebi que em muitos casais existem só química sem sentimento, noutros há sentimento sem química alguma, portanto olhar essas situações sem ver é ficar preso a teorias sem fundamento. A química existe do ponto de vista biológico, mas não deveria ser a razão primeira de análise, e por estar em primeiro plano, muitos não entendem a razão de seus fracassos sentimentais e batizam seus fracassos de rotina e tentam buscar no poço da filosofia secular a solução, mergulhando nesse poço seco de água suja, saindo de suas pseudo-rotinas sem perceber que estão ao sair entrando noutras por estar matando sua sede com uma água que não mata sede, apenas ludibria gerando outras sedes.
Nessa direção, a química dos corpos é objeto de estudos há muitos anos, descobrir o ponto G tem sido até hoje preocupação de muita gente, simplesmente pelo fato de muitos atribuírem a satisfação carnal como objeto de restauração de uma felicidade que nunca se estabeleceu ali, logo o erro está em dar primazia ao corpo sem priorizar o sentimento, nesse caso vejamos:

“De noite busquei em minha cama aquele a quem ama a minha alma; busquei e não o achei. Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não o achei.” (Cantares 3.1,2)

Muitas pessoas vivem nessa eterna busca, passando a beber água em muitas fontes sem matar sua sede, por outro lado quem está disposto a se desprender de seu eu, de seu orgulho para ir buscar nas ruas e praças alguém que ame sua alma? Antes de encontrar é preciso saber que esse mergulho requer paciência e entrega, porque ninguém conseguirá encontrar o que se quer, sem ser aquilo que se pretende ganhar. Esse eterno buscar desemboca no seu eu limitado e se banha em águas límpidas e amadurecidas as quais Deus passa a restaurar por ser você dependente dEle.
Tem muita gente bancando sozinho o super – herói, sem prestar atenção nos conselhos do Criador, só Ele tem água potável pra matar sua sede, seus conselhos, embora paradoxais até hoje, têm restaurado o que se chama de rotina, têm trazido alegrias e real felicidade, quando o maior erro e assinar sem ler, sem ver o que está além dos olhos, é sair pra guerra sem armas, é ensinar sem didática e pior ainda acreditar, mesmo quando os lábios sorriem, em fórmulas milagrosas.
Nessas observações, há muito de veneno didático nessa química, há muitas misturas heterogêneas dificultando de onde vem tal fonte, por certo, sabemos que ficou inevitável não ver tudo isso, mas como todo olhar é vago sobre o mundo, limito-me a dizer: “a ordem dos fatores não alteram o produto”, esse ditado tão nosso explica a ineficácia de toda uma busca para se sair da rotina ou não entrar nela, para muita gente mudar de cenário e de posição, reacenderá o que esfriou, sem perceber que ninguém esfria o que nunca se teve. Não quero com isso dizer que na há turbulências e indiferenças entre os casais, apenas que mesmo nessas turbulências, a alma de um estará buscando o outro que se foi e muitas vezes saímos pelas ruas, praças e recantos da nossa casa e não encontramos, isso faz com que a pressa por uma solução nos lance no poço seco, logo, muitos locam até filmes para tentar sanar um rombo na camada do coração com química, (objetos, roupas específicas, comidas e bebidas estimulantes, lugares pitorescos) quando essa camada se rompeu porque a alma cansou de procurar ou mesmo se descobriu que os sentimentos eram apenas um leve acordo mútuo de um costume pela presença do outro e não um desaguar de um eu e um tu fundido num nós.
Por esse viés, alimentar a ansiedade como fuga da realidade é deixar de ver o óbvio, é não atentar para o caminho, se felicidade dependesse de uma mudança de roupa, de um xarope de marapuama, de mudar de posição ou cenário, não estaríamos vendo tanta insatisfação, traições e separações, portanto precisamos refletir sobre esse estigma filosófico, tirar essas escamas de nossos olhos e passar a depender da vontade de Deus, passando a nos banhar nas águas tranqüilas de sua sabedoria.
Nesse caso, posso afirmar a partir de minhas observações que a rotina em si não existe, apenas gotas de insatisfação as quais já faziam parte do contrato assinado entre ambos, contrato esse que começou infelizmente com um vago olhar sobre o corpo, porque nossa tradição cultural já nos ensina assim, infelizmente muitos pais ensinam assim, quando antes deveriam ensinar aos filhos a ver pequenas minúcias esquecidas hoje: um caráter cristão ao invés de um belo corpo.
Por outro lado, buscar sair da rotina não é só atestar uma insatisfação com o momento, mas também é declarar nossas falhas diante um sentimento cujo caráter cristão esteve sempre em segundo plano। Amor não é a satisfação de corpos e quando passa a ser se enjoa rápido um do outro e por não aceitar cada um suas falhas o relacionamento acaba entrando em conflitos, porque sua base foi construída no prazer físico e não no que disse a Sulamita: “De noite busquei em minha cama aquele a quem ama a minha alma...”. Veja que busca diferente, as águas filosóficas do mundo moderno nos empurra a ir buscar com o corpo, mas um cristão transformado por Deus precisa fazer como a Sulamita deve deitar-se primeiro com a alma, suas vestes e beleza não são os trançados dos cabelos, nem o ouro do pescoço, nem a formosura de seu corpo, mas o caráter interior:

“Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem número. Mas uma é a minha pomba, a minha imaculada, a única de sua mãe e a mais querida daquela que deu a luz; vendo-a, as filhas lhe chamarão bem-aventurada, as rainhas e as concubinas lhe louvarão.” (Cantares 6.8,9)

Quão bom que na hora da escolha a química entre um casal fosse a chama do caráter cristão, um homem e uma mulher sendo louvados pelo testemunho de sua conduta, pela doçura de suas palavras, pela paciência em ouvir o outro, sendo cúmplices nos desertos da vida, um casal que mesmo na envergadura do corpo e nas rugas do rosto se olhassem como adolescentes, se assim fosse, ainda que houvesse muitas rainhas, o amado não envergaria o olhar para outra, ainda que houvesse muitos reis belos, sua amada nem de longe pensaria em esfriar, ainda que viessem as tentações e problemas não iriam buscar no corpo a solução, mas no sentimento da locução eu – tu estariam sempre se fundindo num nós, porque saberia que na ilusão do olhar mora a morte, porém na essência do outro, no prazer de estar com o outro, de enfrentar com alguém as barreiras e as delícias da vida estaria o verdadeiro prazer, impossibilitando quaisquer ricos de uma possível “rotina”. (Provérbios 16.25)
Deus por ser o próprio amor universal, deseja que seus filhos se embriaguem desse amor para descobrir outros amores que vida insere em nós. Ninguém pode se auto – satisfazer se antes não se banhar na fonte inesgotável do amor de Deus, ninguém se realizará por inteiro se dEle não descobrir tal coisa, ninguém conseguirá sair de suas fossas sentimentais se não compreender qual o propósito de se estar ali, ninguém deixará sua rotina de mesmices se não entregar primeiro sua alma ao Deus que promove mudanças no ser, se não deixar de bancar sozinho tais mudanças, ninguém escapará de tal situação se ainda acreditar que uma dose de química muda tudo.
Que você possa começar a ver o que muitos apenas olham, Oxalá que você reflita como deve ser sua escolha acaso você queira agradar a Deus, que você possa mudar de mentalidade e tomar água potável no poço das Sagradas Escrituras, que você reflita antes de escolher para que o seu casamento não seja apenas uma licença pra não pecar, mas uma benção por procurar nos recantos da cidade a alma de alguém, entender que essa alma pode estar visível se você não camuflá-la nas linhas externas e perigosas que um corpo pode oferecer. Sendo que, uma pele leitosa e macia, um olhar misterioso, corpos esculturais de uma cultura alienada, uma voz doce e quente, uma formação cultural invejável, uma posição econômica confortante, nada disso garantirá o fim ou o não começo de uma rotina se um e outro não buscar nas praças, ruas, na cama e nos recantos da casa uma alma cuja sede o saciará quando as crises os quiserem afogar.

“Um bilhete deixado no bolso da roupa, um tapinha no ombro, mãos na cintura ao passar, uma ligação repentina de saudade, passar as mãos nos cabelos, um elogio breve, um beijinho na face, são tantas formas de dizer eu te amo.”

Precisamos rever nossas formas de olhar pra ver o que não se percebe, “Eu dormia, mas o meu coração velava” (Cantares 5.2) Mesmo nesse estado de sono profundo que muitos se encontram é possível reverter o problema e mesmo com os olhos fechados, não pare de velar, vigiar, ficar atento aos embustes de tantas situações que nos deixam desarmados, mesmo dormindo esteja acordado para as possíveis reações do outro, para perceber que nas ações uma reação ressurge, ainda que triste e já desgastado, velar significa não lançar fora o que se conquistou, apenas juntar os pedaços de um possível recomeço sereno e paciente. Ainda que tentemos buscar fórmulas para refazer o sorriso, será inútil se com Deus não nos aconselharmos, inútil se acreditarmos que a rotina pode acabar se não compreendermos que estamos entrando em outra, inútil se ficarmos propensos a buscar água no mesmo poço sem água limpa: (filmes, revistas, objetos) por entender que estes meios não fortalecem, mas enfraquecem mais ainda ao longo da caminhada.
Vejamos todos onde estamos, busquemos no outro o ser dele e não o que as suas características podem oferecer, caso contrário continuaremos caminhar em círculo pelo deserto, entrando em rotinas diferentes achando que já saímos dela e quando nos dermos conta veremos que a solução que Deus nos dava estava tão ali bem perto, mas as murmurações e os passos infalsos de nossas vidas acabam por nos jogar numa estrada de quarenta ou mais anos sem entrar na terra prometida, a nossa felicidade.

Até a próxima!
André Silva.