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domingo, 14 de março de 2010



Em que cultura caminham

seus pés?















Uma pesquisa feita pelo Instituto Paulo Montenegro (O braço direito sem fins lucrativos do IBOPE) mostra que 76% dos alfabetizados no Brasil não conseguem compreender textos mais longos do que uma simples nota de jornal, embora esse fato tenha raízes históricas.


Não há dúvida de que, no Brasil, o início da martirização cultural de nosso povo chegou com a esquadra de Cabral e mais tarde o produto cultural e exportável mudou o cenário dessa terra onde “tudo que se planta, dá”.


O que seria cultura afinal de contas? Antes de qualquer coisa, é necessário questionar se o nosso país está livre e se a população participa de fato de uma sociedade democrática.

O Brasil é um país democrático?


As respostas às perguntas acima não são animadoras, a maior parte da população é marginalizada e, por esta perspectiva, é possível traçar, por si só, o perfil da cultura brasileira; um povo ainda submisso, não mais à cruz portuguesa, mas à cultura televisiva, embora a Antropofagia tentasse, nos meados do século XX, retornar ao primitivismo e devorar a cultura de importação trazida da Europa, transformando o produto importado em exportável, fazendo os valores da terra gritarem por justiça cultural.



É ai que mora o perigo, no passado os pais eram responsáveis em guiar a educação dos filhos, hoje quem dita a regra de como eles devem se vestir e se comportar é a mídia. Então, querido pai, o que seus filhos estão aprendendo? Qual a herança que eles levarão aos seus futuros netos, depois de alimentar-se de tanto lixo cultural, em qual cultura caminham os seus pés?




De uma coisa é certa, nunca se viu tantas cenas de violência, incentivo à bebida alcoólica, ao fumo e ao sexo livre nos comerciais, filmes, novelas e programas de entretenimento como hoje, levaram o corpo feminino à banalização, o nu de tão mostrado ficou sem graça, as cores passaram a explodir em bombas, tiros e muita morte nos desenhos infantis, por isso as cidades estão cada vez mais selvagens, a educação caiu a níveis subterrâneos, as perspectivas de emprego estão ficando quase nulas para uma boa parcela da população que se farta em “balançar a bundinha”, malhar os músculos com anabolizantes e entrarem numa pré-depressão por não aceitar o corpo que a mídia diz não ser belo.


Enfim, mudaram as crianças, os adultos, os jovens, tudo mudou e cada qual tem sua parcela de culpa.



Portanto, se as crianças aprendem o que vêem, irão aprender tudo isto sentadinhas no sofá, os nossos filhos estão sendo os alunos da mídia nas aulas de ética, moral, filosofia e psicologia, enquanto nós adultos deveríamos ser os avaliadores dessas aulas, mas ficamos alheios colocando a culpa no sistema sem entender que devemos ser leitores críticos para não sermos vítimas: Gravidez precoce, drogas, delinqüência infanto - juvenil, desemprego, escassez dos valores éticos e familiares, banalização da cultura.


Se voltarmos ao passado, os jovens eram politizados em relação à situação do país, iam às ruas protestar, hoje vão às ruas sem saber onde estão andando e em que caminho está traçado o seu destino.


Por outro lado, é decepcionante ver que a escola também começou a perder a rédea, galgando por pedagogias transitórias de belas nomenclaturas com seus remédios em livros maravilhosos os quais não conseguem explicar a ineficácia do ensino nem mesmo sarar suas feridas, quando antes era a tábua de salvação, o futuro para mentes brilhantes, homens e mulheres responsáveis, hoje está se tornando um estacionamento enfileirado de alunos que não sabem onde estacionar seus objetivos, pois o investimento do governo em relação à educação mais parece um saco furado, enquanto o seguimento privado entrou para interferir, gerando programas educacionais de aceleração e alfabetização por entender que uma juventude não leitora assusta e põe medo. Com isso, os jovens sem a oportunidade de leitura e emprego estão gritando alto demais, por outro lado a hipócrita sociedade excludente está de mãos atadas pedindo o fim da violência e o efeito e a causa de tudo é isto é óbvia: criaram um monstro e agora estamos com medo dele.


O que está acontecendo? Em que caminho trafega a nossa cultura, os nossos valores, a ética, os bons costumes e a educação?


Discutir alternativas será o seu papel, mas retornar a fazer cada um a sua parte é o nosso dever, para que mais tarde não comamos esse pão que nós mesmos estamos amassando.

Até à próxima!

André Silva

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Nós e o tempo...

Há sempre tempo para tudo debaixo do sol
Mesmo quando ele se põe e o dia se vai













Há tempo para tudo, mesmo quando o tudo se esgota
e
perdemos a paciência



Ao olhar o horizonte sobre uma montanha
percebo que o tempo é frágil e nós humanos tolos
em não perceber que tudo se esgota e recomeça


















Choramos por não lembrar que, até as aflições,
existe um dia exclusivo para elas




















Sim, há tempo para tudo,
mesmo quando tempo nenhum temos o dia inteiro





Há tempo para dizer tudo num silêncio
























e tempo para não dizer nada
num conjunto imbecil de palavras






Para aquele que tem tempo:
mentiroso
Para aquele que não tem tempo: irresponsável



























Dentro do
tempo há sempre dois caminhos
e você, diante da multidão, para escolher
o certo ou o errado.






Há tempo para plantar sementes boas,
porém tem sido tempo de plantar gato com lebre
acreditando que dos céus não se tem tempo
para ver o fruto de nossas mãos





















Porque nesse intervalo de tempo
há sempre uma escolha:
você é quem decide
fazer o que se deve ser feito


















Dependendo disso serás sábio diante do Senhor

que ver tudo e te recompensará o tempo todo.


Até à próxima!
André Silva

sábado, 30 de janeiro de 2010

Jesus, o homem e os outros homens


O que dizem os homens sobre mim? Está pergunta foi a ponta de um ice berg para até hoje despencar em nossa cultura sobre uma real definição sobre o objetivo da vinda de Cristo.

É bem verdade que em seu ministério, Jesus curou os enfermos, saciou a sede e matou a fome de muitos, fazia questão de não despedir ninguém vazio, fez aleijados andarem, cegos verem, ressuscitou pessoas, mesmo assim para quem ler na íntegra os textos dos quatro Evangelhos não tem dúvida sobre o objetivo real de sua vinda entre nós humanos.

Hoje, para muitos, há um contexto diferente da época em que Jesus viveu, isso de forma aparente, pois o homem do passado com todas as suas angústias, medos e neuras existe em nós hoje, tanto que o nome de Jesus ainda é o mais cogitado no cenário de tanta frieza espiritual, de tantos desajustes psico-comportamentais, sim, Jesus ainda é o remédio para cura de todos os males, até mesmo quem nunca quis saber de Jesus recorre a Ele, até mesmo aqueles a quem buscavam os pseudo curandeiros retornam a Cristo na propalada alegação de que Ele pode resolver tudo, quando o tudo está sobrecarregado de um mal maior ainda: o pecado.

Nessa direção, as canções do mundo gospel católico ou evangélico vem cantando um Jesus que agrada a todos, um Jesus que cura, que faz milagre, porém em rara exceção se diz o que de fato Jesus é: O Salvador. Se observarmos as canções e até mesmo as pregações e a homilia dos padres observaremos que Jesus tem sido um só: o resolvedor de problemas, um papai Noel revestido de poder a quem comanda anjos com bandejas a distribuir vitórias ou mesmo a quem divide sua glória e função com outros santos e santas a quem os homens podem recorrer, assim Jesus se isenta de tanto trabalho. Diante dessas alegações só podemos entender que Jesus é o personagem mais importante da historia da humanidade, porém menos entendido e compreendido.

O que me chama atenção nisso tudo é que os cristãos, em sua grande parcela, se dizem detentores das verdades bíblicas e que de Bíblia pouco sabem, pouco pesquisam, pouco analisam e pouco vivem, por esse motivo pouco conhecem o Jesus que tanto falam. Afinal, Jesus fez opção por quem: pelos pobres e oprimidos como dizem os católicos ou Jesus fez opção pelo homem em geral a fim de resgatá-lo do pecado e do inferno?

Se apontarmos em direção ao Jesus resolvedor de problemas conforme a teologia da libertação e da prosperidade cairemos num abismo profundo. Primeiro, Jesus diz que o seu reino não é daqui, não é terreno, esse asistencialismo barato propagado em nome da fé que consegue doar um pão sem doar o próprio coração nem de perto poderia ser comparado ao que Jesus chamou de alimentar os famintos, afinal mesmo ajudando aos necessecitados, mesmo doando pão, Jesus queria mais que isso: uma oportunidade para mudar a vida de todos, os libertando da miserabilidade da alma, Jesus objetivava levar a todos à consciência da graça, pois só nela, apenas no terreno firme da graça salvadora, apenas nesse caminho estreito é possível visualizar o que tanto Ele nos fez ver,: o Reino dos céus. Portanto se apenas orarmos para conseguir nossas vitórias pessoais e terrenas acabaríamos com o objetivo principal do Mestre em João 14 o qual o próprio Cristo anuncia que irá voltar para nos levar para as moradas celestiais., para o seu Reino. Segundo, há várias narrativas em que Jesus procura e é procurado por pessoas da alta sociedade, Nicodemos (João 3.1-16), Zaqueu,(Lucas 19.1-10) o Centurião de Cafarnaum (Mateus 8.9), o jovem rico (Mateus 19.21), Saulo de Tarso a quem Jesus escolheu especificamente para uma grande obra (Atos 9.13 -15), então afirmar a opção de Jesus pelos pobres é dizer de forma implícita de que os ricos não têm problemas, quando sabemos que a alta classe sofre de problemas existenciais jamais visualizados em nosso tempo. Vitória na terra ou no céu? Qual dela estamos buscando, qual delas as pregações e letras musicais estão entoando? Para quem Jesus nasceu? Para o homem ou para os outros homens?


"Eu vim para que todos tenham vida e a tenham com abundância" (João 10.10)


Infelizmente esse versículo virou um bordão, uma frase de causa - efeito, os assistencialistas de plantão usam esse versículo como um refrão nas igrejas e campanhas fraternais, porém precisam entender que "vida" aqui no texto não é apenas vida física, a comparação feita entre o pastor e o ladrão é bem distante de uma vida com mesa farta e casa para morar, a vida em abundância refere-se à vida espiritual que só o Pastor Jesus pode dar às ovelhas, uma vida livre da morte gerada pelo primeiro pecado em Adão, vida em abundância a todos, Jesus é o único que pode ofertar uma vida eterna nas Mansões Celestiais, no seu Reino, o ladrão portanto, os falsos mestres, os doutores da lei "fariseus" podem promover campanhas contra fome, mas não podem dar a vida, podem doar terrenos e acabar com o problema da moradia, mas não podem assegurar sua entrada no Reino Celestial, podem fazer campanhas para ajudar desabrigados de um terremoto ou enchente, mas não podem dar vida com abundância, uma vida em liberdade, isto é, uma vida em que fazemos opção entre viver para o mundo e seus banquetes ou com Cristo. O Pastor vive em nós e nós nEle, a opção não é um fardo que não possamos carregar, mas é em liberdade, Jesus nos deixa livres para optar, seguimos não mais o nosso coração, que é enganoso, (Jeremias 17.9) mas ao Evangelho. Assim, Cristo veio para que TODOS e não só os pobres e oprimidos, todos ricos e pobres economicamente, mas também todos os humanos que desejam ter suas vidas transformadas para dentro do ser, todos que desejam segui-lo em espírito e verdade, mesmo assim não podemos deixar de ressaltar aqueles que tentam seguir falsamente, mas até ai Jesus também faz opção: enquanto existir vida haverá oportunidade para que o falso seguidor se converta, não a uma igreja, mas ao Evangelho da graça, ao Senhor dos senhores ao nosso único Advogado e Salvador Cristo Jesus, sim, até os traidores, se quiserem, têm uma oportunidade, afinal Jesus é vida e vida com abundância.

Em terceiro lugar, a opção pelos pobres cai por terra, quando Jesus faz opção pelo seu traidor, sim, mesmo sabendo quem era seu traidor, mesmo o chamando de diabo e de ladrão, (João 6.70; 12.6) Jesus deu o melhor da mesa, um bocado molhado a Judas. (João 13.25,26) Temos a ingênua imaginação de que ladrão, prostitutas, homossexuais e traidores são pessoas de classe pobre, quando os principais sacerdotes em Jerusalém o entregaram a Herodes e Pilatos. Já entre os ricos está também a hipocrisia, prostituição e roubo, afinal Brasília e a Máfia italiana que o digam, portanto a opção pelos pobres não parece ser o objetivo de Jesus e sim salvar aquele que se havia perdido.

Assim, fica o espaço para sua interação e análise: Jesus fez opção pelo homem pecador ou pelos pobres e oprimidos de seu tempo?


Até a próxima!

André Silva